Foi há dias que um convidado do programa da manhã me lembrou que já havia estado comigo no “Praça da Alegria” na RTP/Porto e que tinha dessa altura uma fotografia que lhe havia sido dada em jeito de recordação. Lembrei-me, então, que, de facto, durante anos assim foi: os convidados presentes no programa eram mimados com uma foto tirada na régie e que perpetuava o facto de ali terem estado à conversa comigo. E mais: lembrei-me também que, eu próprio, haveria de ter guardado um álbum completo de registos dos momentos e convidados que mais me marcaram durante todo esse tempo, ou seja, durante 1.250 programas. Aqui ficam, então, uns quantos lembramentos, com a promessa que, um dia destes, voltarei “à carga”.

– Maria José Ritta, mulher do Presidente Jorge Sampaio, foi várias vezes minha convidada no âmbito do trabalho que soube desenvolver em prol do que entende ser um país moderno, pela via da solidariedade e da justiça social. Manhã houve em que, por iniciativa própria, juntou-se a Isabel Silvestre, a senhora de Manhouce, para com ela cantar “Miraculosa Rainha dos Céus”. Foi um momento tocante e inesperado!

– Lembro-me da excitação que senti ao saber que ia conversar com Regina Duarte, actriz brasileira, famosa em Portugal pelas novelas, se bem que dessa vez estivesse, por cá, para representar em palco. Veio com Marcos Caruso (o, ainda, Leleco de “Avenida Brasil”, grande actor, acrescento) e sua filha Gabriela. Jantámos, na véspera, no “Portucale”, que julgo saber se mantém de excelente qualidade e onde ela se perdeu pela doçaria conventual (também pudera, há lá outra mais carregada de açúcar e sensualidade!). No dia seguinte, já depois do programa, ainda fui de cicerone levá-los à Igreja de S. Francisco, triunfosa do seu Barroco. A impressão que deixou em todos foi tão forte que, passado um ano, voltou propositadamente para celebrar o programa 1000 do “Praça da Alegria”, numa festa memorável que decorreu no Mosteiro de São Bento da Vitória.

– Olha que duas… grandes senhoras do Teatro!
Eunice Munõz e Eva Wilma. Recordo o brilho e intensidade da conversa. Eram juntas para um espectáculo arrebatador: “Madame” de Ricardo Pais (primeiro em cena no teatro de São João,. no Porto e, depois, no Tivoli, em Lisboa) e naquela manhã encheram o estúdio de sabedoria, entrega e generosidade. Falou-se de Arte, a arte das palavras, dos poetas e escritores, da representação e da Vida. Tanto que me acrescentaram…

– Hebe Camargo vinha regularmente a Portugal e fazia sempre questão de voltar ao programa. As conversas com ela, veterana e celebrada apresentadora brasileira, eram sempre marcadas pelo seu contagiante riso e boa disposição. Senhora de uma força incrível manteve-se “no ar”, praticamente, até ao fim da sua vida (2012). Recordo a sua reacção quando me soube agnóstico: “você não tem FÉ!”, atirou escandalizada, logo ela que sempre a teve e a ela se agarrou quando adoeceu de cancro. Enfrentou este com grande coragem e sentido de humor: “quando me vi careca, na sequência da quimioterapia, morri de rir!”. Viveu intensamente e, no seu caso, uma vida de luxo e brilho, apaixonada pelo seu público que a recorda sempre como a rainha (por certo, também pelas suas joias exclusivas) da televisão.

– Tão importante quanto os outros. Penitencio-me por não recordar agora o seu nome, mas lembro que era um menino, portador de trissomia 21, e que gostava de mim a ponto de me querer conhecer. Há abraços que valem por alimento e por isso fazem a diferença. Sei do conforto que senti, porque, por eternos momentos, vivi num abraço feito abrigo.


