Júlia

goucha_juliaTenho que a nossa amizade é uma espécie de refúgio onde podemos ser nós próprios com as nossas inquietações. Mas é mais do que isso, floresce na escuta, na argumentação, quando queremos fazer caminho juntos. Foi isso que aconteceu há algumas semanas e após um convite que me foi feito para conversar com a Júlia, para o número três da sua revista digital (que hoje é-vos dado a conhecer, basta ter a aplicação ou descarregá-la). O mote, dado o mês de Maio, seria o da maternidade, no seu caso, comum a tantas famílias, eivada pela angústia de saber duas filhas com anorexia, uma das formas mais severas de distúrbios do comportamento alimentar na adolescência. Já disso tinha falado publicamente, e nesta conversa explica as razões porque o fez no caso da Carolina, quando uns anos antes havia conseguido manter uma quase total discrição sobre o que estava a acontecer com a sua outra gémea. Mas talvez nunca o tenha feito tão em carne viva como naquela tarde em que nos sentámos à conversa, olhos nos olhos, como se fôramos um só. Ouvi-la foi tomar consciência da sua, e da minha, fragilidades, que é na eminência da perda que compreendemos o essencial.

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Por isso a conversa, que pode agora cumpliciar, é como que uma filigrana de emoções. Não sei se lhe segurei a dor, como amigo que sou, sei é que este nosso amor nunca fica suspenso sobre o abismo do nada.

Se um dia deixasse que este amor fosse infectado pela inveja, pela dúvida, pela rivalidade, mesmo profissional, eu não seria mais gente.

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