Gosto da forma como traz coisas do privado para o público. Como pega em talheres deplástico, panelas, tampas, tampões, pedaços de croché, entre outros objetos doquotidiano, muitas vezes repudiados, e os eleva à condição, superior, de objeto de arte,que nos assalta, provoca e nos põe a refletir. Através das suas obras, gosto (ainda) mais do meu país.

Joana Vasconcelos expõe agora no Palácio Nacional da Ajuda, antiga residência oficial da família real ao tempo de D. Luís I e de Maria Pia, de Sabóia, e palco atual de algumascerimónias oficiais da Presidência da República.
É a própria quem o diz: “fiquei deslumbrada com este Palácio e achei que podia fazermelhor do que fiz em Versalhes”.

Assim pensou… assim o fez: esta é a sua maior mostra, 37 obras, e nem sequer falta a mais icónica, antes recusada em Versalhes: “A Noiva”, um lustre feito com 40.000 tampões higiénicos. “Uma peça que nasce da preocupação de perfeição associada ao dia do casamento… do branco que a mulher continua a levar, mesmo que não seja virgem… de uma série de inquietações ligadas ao passado e às tradições”.
Já cada um dos sapatos “Marilyn” é feito com 149 panelas e 266 tampas. Não uma panela qualquer, mas a do arroz, de 16 cm de diâmetro, a mais comum em todas as cozinhas, ambiente intimamente ligado à mulher, por muito contemporânea que seja.

Tem ainda muito tempo (até 25 de Agosto) para ver esta exposição de JoanaVasconcelos, no deslumbrante ambiente de intimidade do Palácio da Ajuda, marcado pelo espírito de Maria Pia, rainha de Portugal e princesa de Sabóia. Mas não deixe de o fazer!


