
Com o advento da República foram muitas as praças que, de norte a sul do país, levaram o seu nome quando antes haviam sido outra coisa qualquer. Esta, por exemplo, magnífica, no centro histórico de Viana, chamou-se, primeiro, do Campo do Forno, mais tarde da Rainha, sendo que este último baptismo tinha a ver com D. Maria II, por ter sido ela, em 1847, a elevar a vila de Viana da Foz do Lima a cidade, passando então a chamar-se Viana do Castelo. A rainha tê-lo-á feito como reconhecimento pela lealdade da Praça de Viana aquando da Patuleia, a guerra civil que opôs os Cartistas, defensores da Carta Constitucional de 1826, e os Setembristas, apoiantes da Constituição de 1838.




Gosto de praças que se abrem à comunidade, praças da convivialidade, como se cada uma fosse a sala de visitas de um burgo. Num dos topos desta Praça da República podemos admirar um notável conjunto de três elementos de rara beleza arquitectónica, que domina a fisionomia de todo o espaço: o edifício dos antigos Paços do Concelho, o Chafariz e o Hospital e Igreja da Misericórdia.

De tudo falarei em breve no “Você na TV” (dia 18), mas foi a Igreja que me levou a preparar um pequeno vídeo para que possa admirar a qualidade do seu interior em azulejaria e talha. A igreja da Misericórdia de Viana do Castelo, a original, é realmente do século XVI, tal como os demais elementos arquitectónicos já referidos, foi contudo reedificada no século XVIII, por decisão da Mesa da Santa Casa, tomada a 15 de Julho de 1716, e após a constatação do estado ruinoso em que o templo se encontrava. Dado o cuidado postos no seu restauro e manutenção, a Igreja da Misericórdia é hoje um dos melhores exemplos do barroco português. E se eu gosto desta exuberância da Arte! Só a ela me submeto!


