Gosto de gelados o ano todo e mesmo em pleno Inverno, com um taró dos diabos, não lhes resisto, desde que se atravessem no meu caminho. Babei ao ver que no Porto abriu uma nova gelataria, mais uma estava tentado a dizer não fosse ter logo percebido que ali não entram pastas feitas ou aditivos para mascarar a qualidade ou prolongar a validade do produto. Tudo é feito no dia, à medida que ele vai crescendo, de modo oficinal, desde a preparação da base, onde entra a fruta da época, até à manipulação final passando por operações intermédias como a pasteurização e a emulsão do preparado. Segredo maior talvez seja o da máquina usada, bem à vista do freguês, inventada pelo italiano Otelo Cattabriga em 1927, dizem que a única capaz de reproduzir os movimentos “stacca” e “spalma” com delicadeza igual à das mãos de uma “nonna”. Vê-la a trabalhar é empolgante e são sobretudo os turistas italianos, familiarizados com a atração, que se deixam hipnotizar pelos seus movimentos enquanto o gelado ganha corpo. Quase cem anos depois da criação de Cattabriga, as Anas sócias (e conte ainda com terceira, a Francisca) viajaram às raízes do verdadeiro gelado italiano para, após uma formação intensiva, se tornarem “gelatieri” pela mão do mestre Giacomo Schiavon. Da próxima que andar pelo centro da cidade entre no 136 da rua do Bonjardim e deixe-se tentar pela oferta de sabores, entre clássicos e inovadores, com a certeza que vai deliciar-se com um gelado de alta qualidade. Em sentindo o embaraço da escolha, que ali apetece provar todos, faça como eu e opte por um dos menús de degustação. É que são logo seis sabores de uma assentada. É cá uma destas barrigadas!



