Frio, frio, frio…

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Se no primeiro programa o país se apaixonou pelo Pedro Jorge, na semana que passou foi o Gonçalo a levar com a ira de muitos espectadores, face à sua postura ao longo do segundo episódio e em particular em relação a um outro concorrente, o Francisco, no decorrer da prova que acabaria por o retirar da competição. Todos os concorrentes são jovens e estes podem ser cruéis, uns para os outros, sabêmo-lo, já era assim no meu tempo de criança se bem que na altura não se baptizasse essa violência, física ou verbal, de “bullying”. Sem querer desculpar a atitude do Gonçalo, nem o poderia fazer por ser lastimável, devo recordar que MasterChef é uma competição, não deixa de o ser, nesta versão Junior, um jogo se preferirem, e o Gonçalo é um jogador muito inteligente e competitivo. Já mostrou e continuará a fazê-lo nas próximas semanas que gosta de cozinhar e que tem muitos conhecimentos culinários. Possivelmente será o concorrente mais bem preparado teoricamente, já que na prática as coisas “fiam mais fino”.Na ânsia de querer impressionar os jurados, com muitas propostas e nomes pomposos, quando menos é mais, perde-se comprometendo, quase sempre, o resultado final, não sabendo lidar com a pressão e menos ainda com a rejeição. Que a sua participação no MasterChef Junior sirva para que ele perceba que em equipa todos somos um e que nos desafios individuais a vitória é mais saborosa se conquistada com lisura e respeitando o adversário. O Gonçalo é um jovem com tudo ainda para aprender, os pais terão o papel mais importante na formatação do seu carácter, mas não duvidem que estamos perante alguém que, a perceber a essência da Vida (episódios como o de ontem podem ajudar), poderá vir a ter um futuro brilhante. Não me parece é que massacrar o concorrente da forma como ele foi nas redes sociais, seja o mais indicado. Não é isso também uma prática de “bullying”? Se viu o programa que agora terminou, o terceiro da série de dez, terá percebido que a questão foi amaciada pelos próprios jovens. E depois, qual de nós pode atirar uma pedrinha que seja, por nunca ter errado ou sido menos correcto?

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Esta semana a primeira prova, subordinada à temática da cozinha regional, foi marcada pela afoiteza da pequena Leonor. Quem diria que uma menina delicada e sempre vestida com saias de tule ” à princesa”, como usa dizer, iria pedir à produção que as enguias, representativas da região centro, estivessem vivas, para que fosse ela própria a amanhá-las! Está habituada a isso, mais a mais sendo de Aveiro, cidade onde as enguias são verdadeiro pitéu, e soube surpreender os jurados com uma suculenta caldeirada. A ideia desta prova era celebrar o que de melhor tem a nossa cozinha tradicional e ao mesmo tempo honrar as raízes ou afinidades geográficas de cada um dos concorrentes. O João Mata, optou por uma acorda de bacalhau, usando o inconfundível pão alentejano e de acordo com as suas memórias da casa dos avós de Beja. A dita apresentou-se muito equilibrada em sabor. Já o mesmo não podemos dizer das papas de sarrabulho do Gonçalo, tão ao gosto minhoto, ele que é de Fão (terra das Clarinhas) uma vez que abusou dos cominhos. Em sendo assim, apesar de imprescindíveis nas papas, os cominhos acabam por anular todos os demais sabores, tornando a receita imprestável. Já não espanta verificar que este concorrente, de tão seguro de si que é, lida mal com qualquer opinião contrária. Repito que este concurso televisivo pode ser útil para o Gonçalo aprender que a rejeição faz parte de todo um processo que se espera evolutivo, ao longo da Vida. Ainda agora começou este programa mas garanto-lhe que este jovem vai ser confrontado, várias vezes e em diversas situações, com o “não”, não deixando por isso de ser um brilhante concorrente, redigo, pelos conhecimentos teóricos de cozinha que possui, pela argumentação que exibe, pela personalidade, com traços muito discutíveis sem dúvida, que mostra ter. No MasterChef, seja Júnior ou Sénior, avaliamos talentos culinários e não caracteres, sendo que estes podem ajudar ou prejudicar todo um desempenho. Não premiamos os mais bonzinhos, os mais fofinhos ou os mais bonitinhos…premiamos os mais talentosos. Agora, tanto melhor se forem de trato agradável e polido. O Gonçalo tem muito para aprender, para melhorar…e afinal não temos todos nós?. Eu, por mim falo, que só me darei por acabado no dia em que me finar!

Voltando à primeira prova, registe-se que a Maria, outro dos concorrentes a que não se fica indiferente, ainda que por motivos distintos, optou e bem por uma sopa da matança, receita que muito tem a ver com a região de Trás-os-Montes de onde é natural. A Maria, será, a meu ver, uma das mais luminosas concorrentes, revelando um notável domínio da linguagem televisiva. Temo que não dê para perceber a segurança e a graça com que a Maria enfrenta o olhar da câmara sempre que está sobre ela. Aliás, sejamos justos, nenhum concorrente se sente intimidado por estar na televisão.

A cozinha após esta prova ficou que nem campo depois de uma batalha, quando o que também se pretende é que os jovens concorrentes sejam metódicos, organizados e limpos enquanto preparam as receitas. Excepção seja feita à Rosarinho, sempre discreta e muito eficaz. As exigências que atrás referimos estão sempre presentes no seu trabalho. Começou por nos apresentar umas migas de couve e broa com alheira frita deliciosas, saindo assim com sucesso da sua zona de conforto, a pastelaria, e a sua bancada estava como se não tivesse cozinhado.

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No MasterChef Junior nem todos os desafios envolvem execução culinária e esse é outro aliciante desta série, pelo que de imprevisível pode trazer à competição. Ver entrar em estúdio dezoito metros de pizza, ainda a estalar, é um momento inesquecível pela cara de espanto e pelas observações dos concorrentes. A juntar ao aparato da pizza e dos seus “pizzaiolos”, a presença de Sara Prata veio acrescentar uma cumplicidade, entre todos, que pensei não existir. A actriz é por demais gabada dado o seu muito talento mas a todos tocou pela sua simpatia e generosidade. A prova levou tempo a começar a ser gravada e por isso a Sara esteve fechada algumas horas no camarim, para que se mantivesse a surpresa da sua presença. Pois em momento algum houve sinal de cansaço ou enfado, tendo aceitado o desafio de descortinar o maior número de ingredientes que a pizza levava, em pé de igualdade com os jovens. Foi uma prova feliz em todos os sentidos. E é claro que até os jurados se atiraram à… pizza!

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Restava a prova de eliminação, a mais temida de todas, a que que dita a saída, programa a programa, de dois jovens, os menos pontuados. Ainda assim não deixou de ser um divertimento até ao momento da contabilidade final, muito por via do que a produção criou para embrulhar o tema da prova: os produtos Pescanova. A temperatura do estúdio é sempre agradável, até porque se trata de um programa de cozinha, e há que ter em atenção a adulteração de alguns produtos alimentares quando expostos a elevadas temperaturas, mas daí aos jurados terem de se vestir que nem esquimós vai uma grande distância. O que se pretendia mesmo era dar a ideia do ambiente frio dos mares do Norte, onde são pescados alguns produtos da marca, não faltando sequer a queda de ” neve” aqui feita de papelinhos imaculados. É impressionante ver como estes jovens alinham na brincadeira, neste “fazer de conta”. A entrada deles na cozinha foi repetida quatro vezes, e à quarta repetem sempre as reacções com a frescura de uma primeira vez. O que ri ao vê-los a tiritar de um frio que não se fazia sentir, de todo. É o que eu digo: grandes fiteiros. Tudo pelo espectáculo que é o MasterChef Junior.

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Nesta prova foi a Ana quem mais me surpreendeu pelo seu caril de gambas. Perfumado, delicado, com o marisco no ponto. A mesma sorte não tiveram o Lucas e a Nair. As suas propostas foram as menos conseguidas o que, a acrescentar ao pontos obtidos pelos dois nas provas anteriores, acabou por ditar a sua saída de competição. Será que vamos voltar a vê-los, em prova?

Na próxima semana:

Mais do que nunca o MasterChef Júnior ficará entregue à bicharada.

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