Todos os motivos são bons para voltarmos a Évora, bela que é a cidade, há trinta anos Património da Humanidade. Desta vez, entre 4 e 7 do Maio que amanhã começa, a cidade encher-se-à de música ibero-americana, no âmbito de uma iniciativa que pela primeira vez se realiza no nosso país: o Exib Música Évora 2016.





A gala inaugural terá lugar no Teatro Garcia de Resende. No início do século XX existiam 14 teatros no Alentejo, entre salas de origem e outras adaptadas, mas nenhuma com a magnificência desta (se bem que também me apaixone o Teatro Bernardim Ribeiro, de Estremoz). O Teatro começou a ser construído por iniciativa de particulares em 1881. Abriria portas pela primeira vez após 11 anos e algumas vicissitudes, com a peça “Íntimo”, uma comédia em três actos de Eduardo Schwalbach, representada pela companhia Rosas e Brasão”, concessionária à época do Teatro Nacional de D.Maria II. A sala à italiana tem frisa, duas ordens de camarotes e galeria, é decorada com medalhões pintados, representando actores e dramaturgos famosos, como era uso nos teatros de então, e impõe-se pelo brilho dos seus dourados. Felizmente apresenta-se bem preservada, pena que não se possa dizer o mesmo do que é para lá do palco. Fica o reparo para quem de direito (Ministério da Cultura? Câmara Municipal?) que me dizem estar os bastidores preocupantemente degradados, a ameaçar ruína, que da plateia impecavelmente vestida de veludo, onde se sentarão os convidados, não se vêem tais mazelas.





No âmbito do Exib Music Évora 2016, realizar-se-ão vários encontros profissionais, nomeadamente com jornalistas especializados em música. Terão eles lugar no Palácio D.Manuel I, também conhecido por Paço Real de Évora ou Paço Real de São Francisco. Com efeito, ali existiu um convento consagrado à Ordem de São Francisco, mas o Palácio mandado construir por ordem régia foi-lhe ganhando terreno e importância. Aqui passou largas temporadas D. Manuel I e sua família, aqui reuniu Cortes. Aqui representou Gil Vicente, perante a Corte, algumas das suas peças e terá sido aqui que Vasco da Gama, aliás perpetuado em estátua nos seus jardins, se viu investido no comando da armada que haveria de partir à descoberta da rota marítima para a Índia. Hoje o antigo Paço é usado para os mais diversos eventos culturais, de exposições temporárias a colóquios e encontros.





É como que o cartão de visita da cidade. Ainda hoje há quem o conheça como Templo de Diana, por se julgar ter sido construído no século I, depois de Cristo, em honra da deusa romana da caça. Porém sabe-se há muito que terá sido erguido em celebração de Augusto, imperador romano, numa época em que os imperadores eram venerados como deuses. Junto ao Templo Romano de Évora terão lugar alguns dos mini-concertos de música ibero-americana, onde não faltará o nosso fado, com certeza. Outros haverá espalhados pela cidade, como na belíssima Praça do Giraldo, assim baptizada em louvor de Geraldo Geraldes, o “Sem Pavor”, por em 1165 ter conquistado a cidade aos mouros, tendo-a entregado a D.Afonso Henriques.






Usufrua de tudo quanto possa e não deixe de conhecer o muito que a cidade tem para oferecer, sem esquecer o seu Património Social, que suas gentes são afáveis e generosas, orgulhosas do seu burgo. Também pudera, é dos centros históricos mais extraordinários do Mundo.


