
Onde está a tua família? – perguntei eu a um jovem concorrente da gala “A tua cara não me é estranha” no passado domingo.
Identificados os seus familiares, terei dito qualquer coisa do género “bem me parecia pela cor!”, em jeito de comentário e não de graçola. Logo os falsos moralistas do costume se indignaram e me apodaram de racista. Logo eu, que sou contra todo o tipo de discriminação. Que procuro cumprir diariamente, enquanto homem e profissional, aquilo que defendo: respeito pela diferença. Escuso-me a lembrar quantos se sentam à minha frente, no meu labor de entrevistar, e são tratados com igual deferência, por os ter, por dez minutos que sejam, como as pessoas mais importantes do meu mundo.
E depois, não entendo o pasmo causado pelo comentário, como se, porventura, tivéssemos todos a mesma cor. Os asiáticos têm tez amarelada, os africanos têm-na escura, do “café com leite” ao preto, os europeus achavam-se brancos mas a bem dizer são, mais ou menos, esverdeados. Qual o problema de se falar da cor da pele? Não tenho medo das palavras. Preto é preto, amarelo é amarelo, branco é branco. Onde está o comentário racista, que discrimina, que humilha, que estigmatiza? Só quem se acha inquinado pela má-fé pode ver maldade em tudo. Não faço aos outros o que não gosto que façam a mim. E podia ficar por aqui na prosinha, não me lembrasse entretanto que até é verdade que discrimino. Pronto: contrito confesso que não quero por perto, nem pintados, tacanhos, hipócritas, beatas e quejandos. Porque contaminam!


