
Tenho o maior respeito pelos Velhos do meu país. Sou dos que gosta da palavra velho e recusa a hipocrisia ligada a termos como idoso, sénior ou “pessoa da terceira idade”. E não me venham com aquela de que “velhos são os trapos”. Saibamos é honrá-los, porque velho é aquele que tem muito para partilhar. Mesmo que não tenha a cultura dos livros, terá o saber próprio de quem sempre lidou a terra, conheceu luas e marés. Sabe de lengalengas, rezas e superstições. Conhece provérbios e advinhas. Foi a uma velha da praia, que um dia escutei, perante um mar bravio :”aquilo foi dor que lhe deu!” como que a humanizar o imenso oceano que serve de berço e tumba a muitos dos seus. Aquela frase não me saiu mais da memória e talvez ali tenha começado a saber respeitar suas engelhas e cabelos brancos. Por isso me custa que sejamos um país onde os que têm mais vida(s) e saberes para partilhar sejam penalizados. A vida de um jovem não vale mais que a vida de um velho.
Saibamos ser uma sociedade inclusiva onde todos, independentemente da idade, tenham um papel a desempenhar. Pelo que sabemos da prática de muitas famílias e da classe política, este país não é para Velhos. Pobre país!


