Em Evoramonte

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Sempre que ia pela auto-estrada rumo a Estremoz intrigava-me do lado esquerdo uma pequena localidade lá no alto fortificada, por me me parecer  cousa encantada. Não me enganei. Quando no passado fim-de-semana finalmente conheci Évoramonte, pude constatar que a freguesia é das mais bonitas do concelho estremocense. Diz a tradição que foi antigo povoado árabe conquistado por Afonso, nosso primeiro rei, com o auxílio das forças de Geraldo Geraldes, o sem Pavor. Vila desde 1248,  por vontade de Afonso III, viu-se fortificada por acção de D. Dinis, no século XIV. Impõem-se o seu Paço-Fortaleza em alvenaria, dos mais invulgares do nosso país, com os seus cinco bastiões e fachada decorada com nós, ou laços, enquanto evocação heráldica do Ducado de Bragança, as Igrejas Matriz, consagrada à Santa Maria, em obras de recuperação, da Misericórdia e de São Pedro, várias capelas e o chafariz de Santo Estevão. O casario, branco de cal, prova aqui e ali, onde há portas ogivais, que a memória judaica também vive no Alentejo. É no silêncio que abjuro todas as intrigas e intolerâncias, que essa é página da História de que não nos devemos orgulhar. Só pensar que do alto se abarca o “mundo”, na sua multiplicidade. Que esse é feitiço desta terra cintada de muralhas.

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