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É das vilas alentejanas de que mais gosto no Alto Alentejo. Por certo já a conhece por lá ter ido ou pelas imagens passadas na pantalha, que telegénica como é não admira que volte e meia seja cenário de filmes e outros enredos. Lembra-se da novela da TVI “Louco Amor”? – pois parte da sua trama decorria nesta que alguns dizem ser a “Sintra do Alentejo”, se bem que me “arrelie” essa mania de se comparar lugares, como se cada um não tivesse personalidade própria e precisasse de se encavalitar em fama alheia.
Castelo de Vide tem muito para mostrar, começando pelo património que é sempre o que mais me interessa. Casas com história, como aquela onde viveu Mouzinho da Silveira, notável filho da terra e distinto político do século XIX, tendo chegado a Ministro da Fazenda, ou a do Arcário , onde segundo a tradição vivia quem tinha como responsabilidade guardar a arca, ou caixa forte, cheia da cobrança dos impostos ou esta outra, a Casa de Matos (2) já dentro do burgo medieval, para lá das muralhas do castelo (3), onde se diz que D.Dinis se encontrou, ou alguém a mando dele, com os embaixadores de Aragão para se ratificar o contrato de casamento com Isabel, mais tarde santa.
Igrejas contei-as para cima de uma vintena, soube depois que tirando a matriz consagrada a Santa Maria da Devesa (4), muito possivelmente o maior templo do Alto Alentejo, com a sua imponente nave (5), todas as demais estão fechadas, por não haver quem as vigie com responsabilidade, pelo que a maior parte das suas imagens sacras estão ali reunidas constituindo impressionante acervo museológico. De tudo o que vi foi o que mais me deslumbrou, conhecida que é a minha paixão pelas representações artísticas da Fé. Imperdível. (6)( 7)(8)(9)(10)(11)
Muitas são também as fontes que embelezam a vila, pelo menos por quatro passei: pela Fonte do Ourives ( logo à saída da Matriz) assim baptizada por no local ter havido quem oficiasse em tal mister (12), com seus quatro tanques semicirculares; pela Fonte do Monfortinho, com chafariz redondo, tronco em cone, encimada por figura menineira empunhando um tridente (13); pela Fonte da Mealhada, das mais imponentes, com suas quatro bicas em forma de cabeça de leão ( 14), jorrando a água que leva o nome da vila, e como não poderia deixar de ser o ex-libris do burgo, a Fonte da Vila (15)(16), construída no século XVI, reinava D.João III. Fica no Largo José Frederico Laranjo, outro ilustre (jurista, professor universitário, deputado pelo Partido Progressista e par do Reino), que até no que toca às sumidades esta terra é farta (acrescente-se Garcia de Orta, Ventura Porfirio, Salgueiro Maia…). Dali é entrar na Judiaria, não deixando de passar pela Sinagoga (17)(18)(19)(20), para que a memória não esqueça do que o homem é capaz. “Um povo que não conhece o seu passado é um povo sem futuro” (dito hebraico).
Mas muito mais há para ver, que toda a vila é supimpa!
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