Dia de mercado

Desde que esteja por perto, aos sábados não falho o mercado de Estremoz. Começo por um café no “Águias de Ouro” ou no “Alentejano”, fazendo-o acompanhar por uma empada, mais por gulodice que outra coisa, que o pequeno-almoço já vai tomado de casa e se eu gosto ao fim de semana da mesa posta com ovos mexidos, pão torrado, compotas e chá. Depois sim, é correr os improvisados corredores formados pelas bancas de quantos ali mercadejam e procurar coisas de antanho. Miro-as e ponho-me a pensar que estórias me poderiam contar. Quem as usou? Quem nelas tocou? Em que casas “viveram”?… parte do fascínio que tenho por velharias e antiguidades tem a ver com esses passados imaginados, fora a beleza e interesse artísticos que possam exibir. Muito se aprende no contacto com quem vende, que há sempre uma marca, uma referência, um artista, um acontecimento que pode estar relacionado com este ou aquele objecto. Já há caras que não me são estranhas, de tanto as ver entre vendedores e passantes. Entre sorrisos e fotos. Entre abraços e beijoquices. Mais adiante é a senhora que vende frutos secos, flores, espargos selvagens, que agora é o tempo deles, e já me promete tortulhos para a próxima. Logo ali o senhor dos queijos, e se os Alentejo os tem, feitos do leite tirado das ovelhas e das cabras, talhado pela flor do cardo, e das mãos de mulher. Há de tudo e no próximo sábado assim voltará a ser.

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