De Marraquexe a Bragança

foto1“Branca e radiante vai a noiva, logo a seguir o noivo amado…”

É cançoneta de que me lembro, sempre que vejo um bolo destes e foi por pouco que não me pus ali a cantarolar, quando se apresentou aquela que seria a primeira das provas do episódio desta noite. Branca não sei, que a minha coscuvilhice não chega a tanto, mas radiante irá, por certo, a noiva do Lobão quando, no final do mês, celebrarem núpcias.

O bolo já se sabe será feito pela Sónia, uma vez que foi ela a ganhar este desafio e por vias disso ficou logo garantida a sua presença no último programa do MasterChef, sábado próximo.

foto2Sónia em casa (como eu teria “detestado” esta vitória!), ala para Marraquexe, com os outros três concorrentes e mais de metade da equipa que habitualmente faz o programa, para a mais vibrante das provas de exterior e muito pela magia do cenário natural, a célebre Praça Jemaa el Fna.

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foto7Há dez anos que não ia a Marraquexe, mas logo acordou o fascínio que tinha, então, sentido. Acanham-se é as palavras para o descrever agora, direi que é estado de pura embriaguez, pelos batuques que só se acalmam aquando do chamamento para a oração, pela algaraviada de passeantes e mercadores, pelos olores quentes e exóticos, pelas cores vibrantes. Porque aqui já prosei, e mais do que uma vez, sobre esta praça, Património Imaterial da Humanidade desde 2001, não me vou, agora, sobre ela delongar, mas importa referir as muitas horas ali passadas, a bem dizer um dia, para resultar num terço do programa depois de editado ou, se preferir, “cozinhado”.

foto8Houve quem não arredasse pé, fazendo questão de tudo acompanhar desde a nossa chegada em charrete até à mesa dos “notáveis da cidade”, onde os concorrentes apresentaram o resultado do desafio proposto: um chá de menta, como manda a mais vetusta das tradições, uma tajine de frango e legumes e “beghir”, uma sobremesa de crepes muito popular em Marrocos, que, contudo, não convenceu, por, em nosso entender, a manteiga usada ter ganhado ranço.

Os locais chegaram mesmo a ajudar, com os seus bitaites sobre o modo de preparar a tajine e a massa dos crepes e isto para além de todas as valiosas indicações do chefe convidado, Ragid Agouray.

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Merece gabação o convidado, por se ter mostrado inexcedível de simpatia e profissionalismo. É ele o responsável do restaurante de cozinha marroquina do icónico hotel “La Mamounia”. A este hotel se deve muito do charme, da elegância e da fama de Marraquexe. Ragid Agouray fez a sua formação nas cozinhas de excelência de grandes hotéis como o “Palais” de Biarritz, o “Cipriani” de Veneza ou o “Martinez” de Cannes. No “La Mamounia”, todos os dias, desde 1988, faz prova de uma originalidade fora do comum ao revisitar pratos da cozinha marroquina numa carta marcadamente contemporânea. Fiquei seu fã, pelo que um mês depois das gravações deste programa e de regresso a Marraqueche, agora em lazer, voltei a sentar-me à mesa do seu talento.

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foto11Mas voltemos à prova, que isto do chef foi um aparte, no final quem levou a melhor foi a Leonor e por isso se juntou à Sónia no “top três”, sendo que ficou um único lugar vago para dois concorrentes (a Rita e o Luís) e uma prova, a do “tudo ou nada”.

foto12aDesafio das Beiras, assim foi baptizada a prova de eliminação que obrigava os concorrentes, em disputa, a confeccionar leitão, usando o licor Beirão como um dos ingredientes. Confesso que sempre achei que o Luís levaria vantagem por, uma vez mais, o desafio se situar na sua “zona de conforto”. Ademais, a Rita logo se mostrou agastada ao ver na bancada o pobre do bácoro. Porém não sucumbiu, antes pelo contrário, ultrapassou renitências e atirou-se à prova como “gato a bofe”, usando do seu saber e intuição culinárias. Quanto ao Luís, cheio de si, foi o que se viu, fritou o leitão e ao fazê-lo anulou o sabor da marinada. Sempre acreditando que a vitória “estava no papo”, acabou por “morrer na praia”. A derrota terá tido, em si, o efeito de um tsunami. Só quem não o conheça!…

foto12bÉ dos concorrentes que deixa maior e incisiva marca na competição. Retenho na memória cenas suas delirantes, quase antológicas de um ponto de vista televisivo.

Uma vez mais, a autoconfiança (se bem que em excesso possa roçar a soberba) levou alguns a confundir com arrogância e, talvez, por isso os comentários menos abonatórios que fui lendo sobre o Luís. Injustos, digo eu, que o que me foi dado apreciar, semanas a fio, foi um concorrente brioso e orgulhoso das suas raízes transmontanas. Ouvi-lo no gabo dos produtos e tradições da sua terra é no mínimo estimulante e desafiador. O Luís convoca-nos a gostar do que é nosso, do que faz a diferença entre nós e os outros. Nunca um apelido fez tanto sentido, já que traz Portugal no nome e no coração. São palavras suas na hora da despedida: “Trouxe Trás-os-Montes para o MasterChef, levo agora o MasterChef para Trás-os-Montes”.

Felicidades, senhor “embaixador”!

Na próxima semana:

foto13Sónia, Rita e Leonor …

… para uma final no feminino, o que tem sido muito raro acontecer nos MasterChef, por esse mundo fora. Será o fim de uma gloriosa aventura que começou no Terreiro do Paço.

Celebrado com afecto e o vinho da festa! Está convidado(a).

foto15Este que se assina: Goucha, ou o mesmo em árabe, dizem eles (mas isso, só Alá sabe!).