
Conheço a Judite há muito, de quando fui para a RTP/Porto fazer o programa da manhã e não tardava ela de “malas aviadas” para Lisboa, para aqui construir o percurso que lhe conhecemos. Habituei-me a segui-la, como espectador atento, percebendo, ou não fosse eu do mesmo ofício, se bem que na vertente do entretenimento, como por detrás de cada projeto seu havia total envolvência, dedicação e paixão. Com ela mantive sempre uma relação muito simpática e cordata, não sendo contudo o suficiente para me achar seu íntimo, o que até me dá jeito para manter a objectividade que neste momento considero necessária. A pesquisa, o rigor e a acutilância quando esta se impõe, são pedras de toque de um trabalho que se cumpre como umas das referências do jornalismo televisivo em Portugal. No ano passado, tive o privilégio de integrar as equipas por si lideradas que acompanharam, em direto para a TVI, preparativos e casamentos reais, tanto em Londres (Kate e William) como no Mónaco (Charlene e Alberto), e pude testemunhar, durante dias, como a Televisão e o Jornalismo são a sua vida. Uma vida levada, por vezes, à obsessão, no afã de informar com qualidade e diversidade. Acho, por isso, ultrajante pôr-se em causa todo um percurso profissional que é público e celebrado com várias distinções só porque uma entrevista feita, entretanto, a um jovem milionário, não lhe correu bem. Estranhei, confesso, o interesse editorial de ter Lorenzo Carvalho como convidado de um Jornal das 8. Quero lá eu saber do que tem ou deixa de ter, e da forma como gasta, semelhante personagem. Considero, e mesmo assim sob reserva, que só a dita louca estação (silly season) pode justificar tal presença, como coisa rara e a pôr-se a jeito, mais a mais sabendo que a verdadeira alta sociedade não faz alarde dos seus milhões (é uma regra básica de Educação). A conversa não correu bem, também essa é a minha opinião, pelo tom e juízos de valor manifestamente assumidos. E daí? Passa-se de “bestial a besta” por tão pouco? Esquece-se, assim, todo um brilhante trabalho de décadas? E isso dá-nos o direito de fazermos juízos assassinos de carácter quando nada sabemos da pessoa em si e apenas lhe conhecemos o lado público? Quantos vomitaram ódio e frustração através das redes sociais, e na maior parte dos casos ao abrigo do covarde anonimato, conhecem realmente Judite de Sousa? Privam com ela? São visitas lá de casa?… Pois eu não sou… por isso não me atrevo. O que sei é que quando se é um grande profissional, seja em que área for, é-se um grande profissional. Agora, não se é infalível! O ser humano é imperfeito. Esse, tenho para mim, que é o grande desafio da Vida: o tentar sempre ser Mais e Melhor. Mas isso dá trabalho, muito trabalho, e não é para todos! Muito menos para quem está sempre pronto a atirar a primeira pedra!


