Com papas se faz a festa!

Sempre associei as papas de carolo à Beira Baixa e particularmente a Alcains, terra do general Ramalho Eanes, que muito respeito pela sua integridade, e do belíssimo queijo, feito de leite de ovelha, tão bom quanto o da Serra mas menos afamado. Sabia-as de milho grosso, adoçadas de açúcar e perfumadas de casca de laranja mas nunca as havia provado.

Desta é que foi, na Póvoa de Atalaia, até porque ali a festa é das maiores, senão mesmo a mais importante, e cumpre o calendário (que a de Alcains foi atirada para as quenturas de Julho) sempre por alturas de São Sebastião, já que ao mártir são consagradas no cumprimento de vetusta promessa. Diz a lenda que os da terra pediram ao santo que protegesse as colheitas de uma praga de gafanhotos que assolava a região e o certo é que os ditos insectos acabaram por morrer às portas da capela onde todos os anos as papas são benzidas antes de serem distribuídas pela população. É hora dos homens entrarem na função, que se até ali tudo é trabalho de mulher, da feitura das papas e dos filhós e seu transporte à cabeça, em açafates cobertos de lérias, as rendas da terra, são os maridos e filhos a cumprir a tarefa de as distribuir por quantos se concentram no terreiro e tantos são. Antes serviam-se às talhadas em folha de jornal, hoje em recipientes plásticos e convenhamos que de forma mais higiénica, já o gosto será o de sempre: o do milho branco, moído grosso, cozido em leite com açúcar, e o da tradição.

Provei e gostei mesmo, fez-me falta a canela mas isso já resolvi , que as que trouxe para casa perfumei-as com rendilhado e logo “marcharam”!

Obrigado pela simpatia e carinho com que me receberam.