
Vá-se lá saber porquê, mas nunca tinha ido a Lamego, e por várias vezes terei até andado pelas redondezas. Foi desta, e logo numa manhã fria de Domingo, com a cidade ainda dolente, sem movimento, porém com o seu Museu aberto à descoberta de parte do seu impressionante acervo. Muito gostei da arte sacra que exibe, com particular destaque paras as notáveis capelas que haviam pertencido ao antigo Convento das Chagas. Do espaço conventual das clarissas de Lamego, resta a Igreja, mas felizmente podemos admirar, no Museu, os imponentes retábulos em talha dourada que outrora eram no respectivo claustro. Idêntico enlevo senti perante o conjunto único de tapeçarias flamengas, tecidas em Bruxelas, no século XVI, e os painéis que Vasco Fernandes (Grão Vasco) pintou para a capela-mor da Sé de Lamego, imponente catedral gótica, ali ao lado.
Dada a riqueza patrimonial de toda a “baixa” da cidade, pelo exposto e mais ainda pelas casas solarengas (uma em particular chamou-me a atenção por ver que o seu brasão estava tapado por um pano negro. Dizem que essa é a tradição quando falece alguém da família e que o brasão só volta a ficar exposto quando o pano se esboroar), pelo Teatro onde antes havia sido um palacete de setecentos e um hospital da Misericórdia, que leva o nome de quem o comprou em hasta pública (José Ribeiro da Conceição) para vir a ser casa de espectáculos, mantendo-lhe a fachada original, sem esquecer o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, que um monumental escadório liga a tudo o mais, penitencio-me por tão tardia e rápida visita. Bem que os lamecenses se podem orgulhar da sua cidade.


















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