Bastidores de uma produção VIP

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Há muito que a revista VIP queria fazer uma produção comigo. Confesso a minha relutância em dar entrevistas só porque sim, sem algo que julgue interessante para acrescentar ao que já disse em outras ocasiões. Temo que esta atitude seja, muitas vezes, confundida com petulância ou falsa modéstia, por isso há sempre um dia em que a recusa não faz mais sentido, é tudo uma questão de criteriosa gestão, ainda por cima quando o tema proposto para a conversa tinha a ver com os Natais da minha vida, passados, em grande parte, fora do país, que é essa a prenda que, em chegando a quadra, tenho por hábito dar a mim próprio.

Combinou-­se então o local para a produção que faz capa e em parte miolo da revista VIP desta semana. Luis Gamboa, seu diligente e amável director, propôs-me o Hotel Palácio de Seteais, como cenário, ao que anuí de imediato, que se há locais que particularmente me deslumbram em Sintra, aquele é um deles. Há uns anos o Hotel Palácio de Seteais serviu igualmente para uma outra produção comigo, nesse caso para a revista “Tabu”, do semanário “SOL”, e também eu o escolhi como ambiente para uma longa conversa televisiva com Ana Gomes, no âmbito da série “Mulheres da Minha Vida”. Entrar nesta unidade hoteleira, com vista para a serra encantada, é entrar, tal como o nome o indica, num palácio, este do século XVIII, construído a mando de um cônsul holandês no terreno, na altura, cedido pelo Marquês de Pombal. Em boa hora o espaço foi recuperado para o turismo e é um regalo perceber o cuidado e bom gosto postos na sua preservação, já para não falarmos da simpatia e delicadeza de quem nos atende.

Quando cheguei ao Hotel, já o Manuel Medeiro tinha a árvore de Natal quase montada. Depois foi só ajeitar um ou outro elemento decorativo do próprio salão nobre, já por si suficientemente feérico, para enriquecer ainda mais o ambiente criado para as primeiras fotografias. A roupa que uso, já se sabe, é sempre minha, mas o trabalho do Manel como produtor poderia ter também passado por aí, pela escolha do guarda-­roupa a utilizar e atendendo a que se tratava de uma produção natalina. Não me falta roupa de gala, dadas as noites de festa televisivas que nos últimos anos têm reclamado a minha função de apresentador.

Por isso, optei por um smoking, de casaco estampado em dourado e preto, com calça de veludo, todo ele de alfaiate, e feito a partir de um tecido que, há um, ano havia comprado na “Mood” em Nova Iorque e com o qual apresentei a primeira gala de «A tua cara não me é estranha Kids», em Março passado. Os sapatos de veludo a condizer, já com uns anos, são do Miguel Vieira, que muito aprecio e que justamente começou a impor­-se no mundo da moda como criador de sapatos.
Foi, aliás, nessa qualidade que pela primeira vez o entrevistei, ainda eu estava, e estaria, na condução do programa «Praça da Alegria».

Ali estava eu à mercê do José Manuel Marques, autor exigente e inspirado das fotografias. E assim foi durante umas duas horas, entre mudas de fatiota (usei um casaco de festa em vermelho estampado, de outras ocasiões mas agora reciclado através das lapelas em veludo e ainda um, acabadinho de estrear, em azul e preto) e cenário (uma sala mais aconchegante e até as escadas do hotel, já que ali tudo é fotogénico). Confesso-­me impaciente sempre que uma produção fotográfica me obriga a mudar de roupa e a largos minutos de pose. “Já chega!”­ é expressão que repito amiúde, se bem que tenha o maior respeito pelo trabalho dos outros, quando feito com talento. O resultado está à vista.

Já só faltava a conversa. Uma hora seria suficiente, pensei quando me sentei frente ao jornalista Humberto Simões, disposto a responder a tudo, do jeito que sei. Qual quê! Não tenho poder de síntese e gosto de falar, o que só dificulta o trabalho de quem depois terá de escolher e cortar, no momento de resumir em breves páginas (vá lá que até foram muitas) toda uma converseta que terminou já caía a noite. Por vezes as coisas não fazem sentido, fora do contexto, chegam até a tornar-­se ridículas, mas no caso, fora uma ou duas pequenas situações, tal julgo não ter acontecido dada a sensibilidade de quem perguntou e escreveu.

Falei de afectos e memórias de Natais passados.

E sim, falei da acção que interpus contra o Estado Português, no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e que, a revista, como seria de esperar, resolveu puxar para título de capa. Fi­-lo há dois anos (já o havia dito em televisão por uma ou duas vezes) e na sequência de uma decisão em recurso lavrada por uma juíza que entendeu, entre outros considerandos igualmente preconceituosos, que posso ser humilhado pelo facto de ser “uma figura pública que usa casacos de cores apropriadas ao universo feminino” (?????). De tudo isso falarei, em pormenor, a seu tempo, já que o processo está a correr. Mas é importante que diga que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem aceitou o caso. Repito: aceitou o caso, o que indicia que a razão está do meu lado.

O direito à resistência e à indignação assiste a qualquer um. E eu nunca me calarei perante o preconceito, venha ele de onde vier.

As fotos da produção, da autoria de José Manuel Marques:

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

Manuel Luis Goucha

As próximas fotografias foram tiradas pela Carina Oliveira, que me ajuda neste blogue, e revelam o ambiente dos bastidores. Aquele que não é suposto o leitor/espectador conhecer, mas que não deixa de ter a sua magia.

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