Tenho o Porto na alma, já o disse bastas vezes, por isso à cidade regresso sempre com profunda alegria e desta vez ainda mais sentida por vir receber no “Baile da Rosa” uma distinção que muito me honra, fruto da simpatia e generosidade das senhoras embaixadoras da iniciativa, mas com a qual não posso concordar. E que não se veja nesta atitude sobranceria da minha parte ou falsa modéstia, antes pretendo ser coerente com o que penso e sinto. Não sou modesto, gosto do homem e do profissional que sou e continuarei sempre a trabalhar no sentido de melhorar um e outro, mas daí a considerar-me “personalidade do ano”…
Trabalho em televisão, uma profissão narcísica, sem duvida, mas não posso permitir que o meu ego mate a lucidez. Por isso, no momento de receber o prémio, procurei simbolicamente dividi-lo com os três outros nomeados na mesma categoria, sendo qualquer um deles bem melhor do que eu: Camilo de Oliveira, por toda uma vida dedicada ao teatro, Nicolau Breyner, senhor de muitos saberes na arte da representação, realização, direcção de actores… e Vasco da Graça Moura (ainda entre nós quando ficou decidido quem ganharia o prémio), o de maior excelência, como tradutor, poeta e pensador. Serei eu o mais popular? Talvez, pelo mediatismo que a televisão permite ao fazer-me entrar, diariamente, na casa de quantos me vêem há muitos anos, como se eu fosse já da família. Mas nem sempre popularidade é sinónimo de excelência.
Esta é a vida que sempre quis para mim. Por isso procuro cumpri-la com o que julgo ter de melhor: verdade e curiosidade. Sei que sou eu em cada momento que sou, mas que muito me falta ainda para ser.




