ANTES DO CONCLAVE

Não somos um centro de produção, não somos uma empresa com o objectivo do lucro, somos Igreja. Somos uma comunidade de pessoas que vive na Fé. O nosso propósito não é vender um produto com sucesso. A nossa missão é viver exemplarmente a Fé, anunciando-a em comunhão com Cristo e consequentemente com Deus...” Bento XVI

papa

Sou dos que acha que a Igreja é a mais antiga, poderosa e bem sucedida das empresas. Com um produto “à venda”, chamado “vida eterna”, que só se obtém penando na Terra e obedecendo às regras por ela imposta. Sou dos que precisa de entender para acreditar, que não assume nem aprecia opiniões que não possam ser sujeitas a exame ou crítica. Por isso, há muito que me tenho como agnóstico, por não reconhecer aos homens capacidade para provar o que é indizível, entenda-se Deus, e talvez esta seja uma forma intelectualmente mais honesta de ateísmo. Sou dos que acredita na Ciência e que vai encontrando nas suas descobertas a resposta para o que antes remetíamos para o plano do Divino. Fascina-me contudo a Igreja, pela ascendência que tem sobre milhões de pessoas (garantidamente não sobre mim) e pela forma, bastas vezes nada curial, como tem gerido e defendido esse imenso poder ao longo da sua história. Por isso me interessou uma figura como Bento XVI, como pensador da Instituição em que acredita e como defensor de uma transparência que há muito deixou de existir, se é que alguma vez existiu. Sou dos que acha que se deve ver na renúncia de Bento XVI mais do que a evidência do desgaste físico. A decisão de Bento XVI, quase inédita na história da Igreja, é a de um homem fundamentalmente livre, consciente da oportunidade que com ela se abre para a discussão do rumo que o Vaticano deve tomar. Sobram muitas sombras onde deveria existir Luz e Paz. Veremos o Papa que se segue…!