Alegrete dos sorrisos

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Começo por gostar do nome, Alegrete, (1) se bem que não deixe de me lembrar de um dito antigo, do tempo do Estado Novo quando havia quem gabasse a pobreza: “pobrete mas alegrete”. Fica no alto (2) como convinha a quem temia os perigos vindos de Castela. De lutas guerreiras nos fala o que sobra do seu castelo medievo (3)(4)(5)(6)(7) mandado erguer por Dinis, rei poeta e lavrador. Um engenhoso e eficaz aproveitamento do espaço através de escadas e plataformas deste tempo, permite-nos chegar às ameias, para delas estendermos o olhar até onde a vista alcança. Largueza assim só nestas terras para cá do Tejo. Vista de cima, a vila (8)(9) parece ainda mais pequena, quase de brincar, toda ela caiada de branco e debruada a amarelo, sendo que a excepção fica na rua do “Celeiro”, o mini-mercado do Tó e sua mulher. Ali destoa a casa, dizem-me que de um senhor do Porto, porque alindada a azul, parece-me que não tão forte como é o azul -Alentejo, antes mais pró o azul-clube, que isto há paixões que não se conseguem castigar.

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Temos de entrar na Igreja da vila (10)(11)(12)(13) consagrada a quem a protege, São João Baptista, se bem que a maior devoção dos alegretenses seja por Nossa Senhora da Alegria, sempre celebrada, entre o profano e o religioso, quando Agosto está pela metade. “É a ti que recorremos/Em horas de aflição /Para que nos protejas/ Do mal e da tentação”, quem o diz é Victor Trindade, sacrista da terra e poeta popular (14), com a quarta das classes tirada.

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Mais abaixo abre-se a Praça onde pontifica o bonito coreto (15)(16), palco para a banda da terra em dias de festa. Esta tem fama e muitos anos, mais de cento e quarenta, de briosos trabalhos. Tenho que as Filarmónicas são verdadeiros conservatórios populares, não se estranhe por isso que alguns dos seus instrumentistas acabem na cidade grande integrando outros projectos.

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Depois é andar pelas ruas, todas elas “num brinco” que até dá gosto, responder a quem nos interpela de sorriso escancarado e em dando a larica ala para o café do Sr.João, que logo a D.Palmira se atira ao fogão para dali sairmos todos alegretes (17)(18)(19)(20)(21). Bem que gostei da vila e de suas gentes para em breve tornar.

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