
Tenho uma gata, logo eu que sempre fui mais de cães.
Encontrei-a, já contei, na berma da estrada e por certo não vingaria, longe da mãe e sendo surda. A pouco e pouco foi-se instalando, cá em casa e na minha vida.
Não gosta de colo nem de ser agarrada. Tampouco marra ou ronrona. Gosta é de ver tudo do alto, mas parece que esse é o jeito da gataria. Se não está nas alturas é porque está atrás do fogão, já que gosta de estar com os calores, ou dentro de um pote, cesto, caixa ou mesmo gaveta. Quando assim é, encontrá-la é o cabo dos trabalhos, ademais sendo “surda que nem uma porta” não responde a chamamento algum.
Tem noites que desespero com as suas cabriolices, quando o que quero mesmo é que ela sossegue para que me possa entregar nos braços de Morfeu. Mas, mais tarde ou mais cedo, chega o momento em que nos aninhamos um no outro e juntos agarramos o sonho.
Se eu poderia viver sem a Faneca? Claro que sim, mas com ela sou (ainda) mais feliz!












