Maria Hermínia Paes
Conheci-a há uns vinte e cinco anos, no decorrer de umas filmagens para uma série de programas “Portugal de faca e garfo” (onde isso já vai!) na RTP, como não poderia deixar de ser, na altura. Já iria nos setenta, mas muito me impressionou pela sua vitalidade e carácter, os mesmos que fizeram dela uma figura ímpar num mundo então dominado quase exclusivamente pelos homens, quando, na década de sessenta, decide plantar a casta Alvarinho nas suas propriedades, para com ela fazer o príncipe dos vinhos verdes. Confesso-me inebriado pelos seus aromas cítricos e de frutos tropicais, com seu corpo macio e sua redonda acidez (falo do vinho, é claro!), se bem que não seja mais a única estrela da região, que há uma nova geração de produtores investindo na casta e com grande sucesso (exige-me a polidez que não fale aqui de outro Alvarinho, que cá em casa também muito se aprecia). O palácio, adquirido em 1937 por seu pai Francisco de Oliveira Paes, para lhe dar de presente, tinha ela uns vinte anos, terá também ajudado pela sua história e imponência a conferir ao vinho ali produzido um estatuto invejável.

Palácio, jardins, vinhedos, bosque… perfazendo trinta hectares de propriedade, podem ser visitados e é experiência que nos toca, digo-lhe eu que há anos desejava ali voltar. Mais ainda sabendo que numa das alas privadas continua a viver a Senhora da Brejoeira, agora com 95 anos, do alto do seu exemplo de saber, coragem e atitude. Gosto tanto de pessoas assim!
www.palaciodabrejoeira.pt
visitas de Terça a Domingo
das 9h30 às 12h00
das 14h00 às 17h30


