

Ricardo Claudino foi modelo e tem formação superior em Desporto mas apaixonado que é por fragrâncias diferentes, foi nos perfumes que encontrou o seu actual modo de vida. Uma semana antes do Natal abriu a sua perfumaria de nicho, tais as marcas que exibe, num espaço delicadamente sofisticado, à rua Rodrigues Sampaio. Soube pela Cristina da existência desta loja e curiosamente foi o meu alfaiate quem lá me levou, depois de uma tarde de provas, já que fica na mesma rua onde tem o seu atelier.








Gosto de perfumes mas confesso que não mantenho fidelidade alguma a marcas ou cheiros. Não imagino a minha pele agarrada a um olor único que a identifique, já que consoante a hora ou a estação do ano assim gosto deles mais cítricos e refrescantes ou mais quentes e especiados, contudo ultimamente vinha mantendo alguma constância na aquisição dos perfumes da marca francesa “Atelier Cologne”, comprando-os no Chiado, na “SkinLife “, tendo por duas vezes chegado a entrar numa das lojas da marca em Paris.

Tudo mudou agora na “Embassy” ao cheirar o novo perfume “Eau Sacré”, de James Heeley, perfumista inglês a viver em França onde desenvolve o seu criativo trabalho. Se uma fragrância nos convida a viajar através da memória, esta leva-me de volta à infância quando acompanhava ao domingo a avó Palmira à missa da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra. Enquanto ela ia debitando rezas e benzeduras eu procurava absorver a beleza dos azulejos que vestem as paredes, do ouro das talhas e das imagens que com ares de beatitude enchem os altares. Apaixonado que sempre fui por Historia, saber que ali jazem Afonso I de Portugal e seu filho e sucessor Sancho conferia ao local uma irresistível carga dramática e teatral que me fascinava e que a exuberância da paramentaria acentuava. Mas era o cheiro do incenso e das velas a queimar que me envolvia e me elevava como que a um estado de consciência superior. É esse mesmo cheiro da infância que procuro sempre que entro num templo e que encontro agora concentrado num pequeno frasco de perfume. “Eau Sacré” cola-se à pele numa carícia quente e misteriosa. É tal o seu carácter, que logo o dono da loja me avisou que duas aspersões, no máximo, seriam mais que suficientes para me deixar cheiroso. Pois é o que faço e mesmo assim deixo rastro, que ainda há dias ao passar num dos corredores da TVI escutei:
“Que cheiro bom, cheira a igreja!” ao que pronto completei, que isto comigo não se fica sem resposta: “…cheira mesmo! É o cheiro da minha santidade!”

Embassy
Rua Rodrigues Sampaio, 89
Lisboa


