Não teria mais de nove anos: de férias em Lisboa na casa do meu pai lembro-me dele me ter levado a uma loja de roupa para me comprar um sobretudo. Era cinza muito claro, da cor do frio, se a memória não me atraiçoa, e tinha um cinto grande para o apertar à frente depois dele traçado. Achei-o o máximo: janota e moderno, diferente de tudo quanto havia no meu guarda-roupa. Com ele até parecia um homenzinho. Foi casacão de pouca dura, que o mesmo não terá considerado a minha mãe, ou pelo menos não convinha para a mortal guerrilha que entre os dois se havia instalado, anos antes, com a separação, e logo o casaco foi retalhado acabando banal e sem graça, de nada valendo os meus protestos e choros. Foi então que jurei que um dia haveria de os ter, tal e qual aquele de traçar com cinto.
O episódio veio-me à lembrança quando vesti o casacão em fazenda de lã, com gola de rebuço, e cinto,claro, do Luis Nogueira e levado à televisão, entre outras peças da sua criação. Gosto muito do trabalho do Luis, por respeitar a tradição da lã e em particular do burel, que é quando ela depois de urdida é pisada, ganhando a peça maior resistência e durabilidade. Que o digam quantos apascentam nos rigores do Inverno.
Gosto muito do trabalho do Luis, por juntar a este saber antigo a modernidade do corte e do design, tornando o produto final irresistível.
Foi isso que aconteceu comigo: o casacão de gola de rebuço e cinto de laçar… já cá canta!






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