
Preparei-a como mesa de fim-de-ano, mas bem que a poderia ter usado tal e qual para um outro jantar qualquer, dado que não exibe ornamento algum que seja propriamente exclusivo da quadra natalícia.

Primeiro vesti a mesa. Não gosto de sentir a dureza da madeira, quando pouso o copo ou apoio os braços. Para tal usei um resguardo almofadado, que facilmente se encontra em qualquer armazém de tecidos.
Depois foi escolher a toalha, para a partir das suas cores jogar com os elementos necessários à refeição, entre marcadores, pratos, talheres e copos. Muitas das toalhas cá de casa são feitas a partir de tecidos que se compram a metro, e à primeira vista indicados para outras funções. Podia ser um cortinado ou um lençol. Escolhi esta, florida, a azul e branco, por achar que são duas cores que combinam bem. Azul cor de todas as ideias, cor da simpatia e da harmonia com o branco, simbolicamente a mais perfeita das cores.

Para marcadores lembrei-me de uns brancos que nunca havia usado, em renda engomada, da “Zara Home”, e que estavam guardados há um ror de tempo. Perfeitos para receberem o serviço de pratos, azuis com um subtil filete dourado, da “Vista Alegre”, para aí com uns vinte anos.

Mantive o azul nos copos da água, do “Depósito da Marinha Grande” (fui comprando ao longo dos anos, em várias cores) e nos de vinho tinto, esses sim, delicados na sua lapidagem, e por isso guardados apenas para certas ocasiões. É que de doze já só resta metade. As flutes são em vidro transparente para contrastar com o restante da coparia.

Vidro e mais vidro no centro da mesa, num tabuleiro cheio de copos banais, de vários tamanhos, fazendo aqui as vezes de castiçais e uma jarra que pouco importa como é ou deixa de ser, que a ideia era segurar um simples arranjo de galhos do jardim, pintalgados de dourado com umas quantas flores artificiais. Este ano usei bastante elementos naturais, como os galhos, como que ligando as várias festividades, desde a decoração do pinheiro natalino a esta mesa de fim-de-ano, passando pela da consoada. Para garantir as doze passas que há que comer ao bater da meia-noite, usei as bases de umas manteigueiras, também azuis, uma por pessoa (também não tinha mais se fossemos quatro!) e coloquei-as junto a cada conjunto de copos. Os talheres são ingleses, da “Mappin & Webb”, casa fundada em 1775, fornecedora da corte desde os tempos da rainha Vitória. Guardanapos em linho branco, presos com argolas da mesma cor, e parece-me que é tudo.
A ideia é usar coisas e loisas, por vezes esquecidas e por isso sem terem uso, deixando ainda margem para o improviso. E não importa se desirmanadas, que a mistura pode resultar bem divertida.




