A MINHA ALMA ESTÁ PARMA

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É apenas um trocadilho, que Parma não é de todo cidade para me aparvalhar. Gosto é de um dos seus produtos, verdadeira jóia da charcutaria italiana: o presunto. Dir-me-á o(a) ledor(a) que também temos presunto! Temos sim senhor, concordo eu. E de grande qualidade! – teimará. E de grande qualidade, sim senhor, corroboro e acrescento: veja-se o caso do presunto de Lamego, o de Melgaço ou o de Chaves, como que uma tríade a merecer veneração. Mas agora pergunto eu: e alguém conhece o nosso presunto fora de Portugal? NÃO, um redondo e sonoro não, perdoe-me a pespinetice, que sei o que estou a dizer. Ora do mesmo mal não padece o de Parma, todo o Mundo o conhece. Pela sua qualidade com certeza (que se obtém pela alimentação do reco, pelo sal, pelo ar das colinas parmenses e pelo tempo, que ano e meio leva a sua maturação) mas muito pela sua promoção no exterior. Pois é isto que nos falta, investir a sério na divulgação do que é nosso, de superior qualidade, sempre na perspectiva da conquista dos mercados externos. De nós só se conhece o vinho do Porto (e sobretudo por acção dos ingleses que “colonizaram” a região duriense) e a cortiça. Então e os vinhos de mesa? E o azeite? E os queijos? E os enchidos?… Não há suficiente produção que justifique tamanha aposta? Nem vale a pena mais em não havendo mercado, se bem que falemos da produção de produtos de excelência. Não há união entre produtores? Pois também acredito, que é fadário nosso o de promovermos desentendimentos à custa de intrigas e invejinhas. Mas então como fazer, se a exportação é apontada como um  dos caminhos para sairmos da “cepa torta”, quanto mais não seja para ajudar ao equilíbrio da balança comercial?

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Enquanto isto, delicio-me com umas fatias de presunto, deste que é de Parma e do Mundo e se funde na boca, tal a sua maciez. E sigo caminho por esta bota (entenda-se Itália) que não quero “descalçar”!

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