A arte do “faz de conta”

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É através da Arte que se defronta o abismo a cada instante. Que se mergulha nas incertezas da Alma. Que se toca o Divino!

Não sei se a transcendência da representação se pode aplicar por inteiro quando é de novela que falamos. É outro registo, outro fôlego, bem diferentes dos que acontecem sobre tábuas. Nada contra, antes pelo contrário, que uma novela pode levar à discussão dos mais diversos temas do quotidiano e ajudar a exorcizar algumas apoquentações, de um modo mais abrangente. Mas não deixo de pensar numa linha de montagem onde actores e técnicos são “obrigados” a dar resposta rápida, com o apuro possível. O actor tem de “se virar”, recorrendo da técnica que os anos e o labor ajudam a dominar, quando no Teatro há outro tempo para a construção, para a inquietação, para o sortilégio. É indizível a felicidade de se estar num palco. Como indizível é cumpliciar, da plateia, a espessura que as personagens ganham, a cada noite.

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Vejam só para o que me deu, quando ontem estive nos estúdios da Plural, em gravações para o Masterchef! Eu ali, numa casa “faz de conta” (a dos Albuquerque) colada a um suposto centro comercial (Shopping Place) a conversar com alguns actores da novela “O Beijo do Escorpião” e concorrentes do Masterchef, e a sentir saudades de habitar um palco. Outro palco! Pelo prazer e pelo risco! Quem sabe…
Viva o Teatro!