Este pequeno presépio que hoje me chegou às mãos tem história que merece ser contada. É feito de minúcia, talento e sobretudo amor, amor de uma mãe, Adelaide de seu nome, por Daniel, seu filho, a bem dizer a chegar aos vinte de idade. O pai chama-se Manuel e também ele tudo faz para que Daniel possa realizar o seu sonho, o de ser músico. É claro que ainda está na fase de formação, se bem que para um artista esta nunca esteja acabada. Começou, como tantos outros jovens numa Banda Filarmónica, a de Penalva do Castelo, sede do concelho a que pertence a aldeia onde a família vive, Ínsua, passando depois a frequentar o Conservatório de Música de Viseu. Os pais, a trabalharem, então, em Mangualde, levavam-no todos os dias à cidade de Viriato, para que ele frequentasse as aulas e depois retornasse a casa. Feito o 12 ano, Daniel fez audições para poder continuar os estudos de trompete, o seu instrumento de eleição, e entrou na Escola Superior de Música em Lisboa. Vive agora na cidade maior, num quarto alugado, a trezentos quilómetros do aconchego dos seus. O trompete continua a ser o que pertence à Banda Filarmónica onde descobriu que a música é a sua paixão. É que o instrumento é caro, na ordem dos milhares de euros e os pais, tanto um como outro, ganham o salário mínimo, nada, porém, que os demova de estimular o sonho do filho. O pai Manel faz licores e vende também as framboesas que cultiva. A Adelaide faz doces, pães com frutos, tudo o que possa ajudar, e foi o próprio Daniel quem durante o Verão tudo vendeu na feira semanal da vila. Na das maçãs que se faz em Esmolfe chegaram a montar um estaminé e neste Natal Adelaide teve a ideia de fazer estes pequenos presépios que se prendem ao frigorifico, para assim conseguirem mais uns dinheiritos. O esforço é enorme para que o filho possa prosseguir os estudos. Daniel sabe-o, preocupa-se por tal empenho e dedicação, mas quem o conhece, como jovem de muito talento e de valores, sabe que os vai honrar e chegar longe. Eu, tenho a certeza que o trompete, a que possa chamar de seu, vai chegar mais depressa do que ele pensa. É Natal! E eu gosto de quem sabe que o Belo é o caminho!



