
Foi uma ida rápida a Londres e com um único propósito: o de ver o concerto de Barbra Streisand, o primeiro de uma mini-digressão por cinco cidades europeias. Há dois meses que tinha os bilhetes, que sou daqueles que prepara tudo com muita antecedência, deixando, por isso, pouca margem para improvisos, e confesso que, até ontem, vivi numa excitação possivelmente idêntica à que muitos sentem nas vésperas de um espectáculo de Rihanna ou de Lady Gaga.
Sexta-feira:
20.00 horas



Como em tudo, em gostando… sou fiel, ainda que por vezes desobediente. Por isso, quase sempre me fico pelo St. Martins Lane Hotel. Por estar no West End (o bairro dos teatros), que é sabido o meu apego às artes da representação e a dois passos de alguns dos locais que gosto de calcorrear, entre turistas e viajantes, e não se pense que uns e outros são farinha do mesmo saco: Convent Garden, Trafalgar Square, the Mall…
Gosto da alvura com que o hotel se veste (por obra de Philipe Starck), apenas aqui ou ali maculada de alguma garridez. E do atendimento prestável e caloroso que todos cumprem, sem que seja impositivo.
21.00 horas

Nem saio do hotel, que há muito que aprecio o seu restaurante Ásia de Cuba, onde se pratica uma curiosa e sabida fusão entre as cozinhas asiática e a cubana. O ambiente é descontraído e ruidoso, mais ainda por ser sexta-feira, que é quando os londrinos ganham ansiada soltura depois de uma semana de muito trabalho e pouco devaneio.
Há portugueses, entre os que nos recebem, que me reconhecem e jubilam. E eu grato me quedo por essa aventurança de saber que o meu trabalho lhes amacia a saudade.
www.stmartinslane.com
Sábado:
9.00 horas



Ainda a cidade preguiça e já ando por Piccadilly Circus, a praça onde todos se cruzam, a caminho de Regent’s Street. É lá que fica o “Liberty”, desde 1875, e nunca lhe recuso uma visita, certo de que ali encontrarei algo do meu agrado, entre a tradição, a inovação e a excentricidade inglesas. Será que resisti a estes sapatos com salpicos de festa?!
www.liberty.co.uk
12.00 horas


É certo que o turismo também alimenta o teatro, mas se assim não fosse seriam os ingleses a mantê-lo à tona de qualquer crise, ou não fossem habituados a amá-lo desde o berço. Por isso, há espectáculos que se mantêm em cartaz há mais de 25 anos, caso de “Os Miseráveis” ou de “O fantasma da Ópera”, isto na área dos musicais, que o policial “A ratoeira”, a partir da obra homónima de Agatha Christie, esse soma e segue e já lá vão 60.
Pensar que podemos encontrar em cima das tábuas nomes grandes que habitualmente conhecemos do cinema é algo que não devemos estranhar, já que para os maiores o teatro é a nascente a que, volta e meia, se tem de regressar. Caso de Judie Dench, a finada “M”, de 007, que brilha agora no West End.
É hora de dar um pulo à National Portrait Gallery, que esta meia dúzia de linhas sobre teatro foi apenas espicaçada pelos reclames que as fachadas exibem como que a lembrar que há vidas que todas as noites morrem ao cair do pano, para voltarem a nascer na representação seguinte.
www.npg.co.uk
14.00 horas



Costumava dizer, por graça, que os melhores restaurantes que conheço são “L’ atelier”, em Paris, e a minha casa, isto antes de acrescentar ao pódio o “Belcanto”, de José Avillez, em Lisboa. Mantenho o que penso da obra dos que seguem Joel Robuchon, que apesar de estar em Londres, este “L’ atelier” não deslustra a fama estrelada pelo guia Michelin.
A cozinha abre-se a nossos olhos com quantos nela oficiam, numa euforia de cores, sabores e olores, que o prato casto recebe em jeito de tela. Cantam as nossas almas!
www.joelrobuchon.co.uk
17.00 horas




Logo ali é a loja Paul Smith, identificada pelo eufórico riscado. Faz sempre parte dos meus passos londrinos, quanto mais não seja para ver onde param as modas e até tirar algumas ideias. Verdes, vermelhos e amarelos são cores da moda para este Verão. Mas isso já eu sabia e até tenho vindo a praticar.
www.paulsmith.co.uk
20.00 horas

O grande momento chegou.
Lotada a O2, a arena multi-usos com que Londres celebrou a entrada no novo milénio. A noite seria de Barbra Streisand, com seus convidados, num desfiar de memórias e canções. Aos 71 anos é senhora de uma forma física invejável e de uma voz intensa, a mesma que sempre nos emocionou e empolgou. A dado momento do espectáculo Barbra responde a algumas perguntas de espectadores presentes na sala, previamente escritas. Uma inglesa de Manchester quis saber até quando Barbra iria continuar a cantar (mais parecia uma pergunta daquele tipo de portugueses que desesperam com o sucesso demorado dos outros), ao que ela respondeu de pronto: “cantarei até ao dia em que as pessoas deixarem de me vir ver!”
Ontem éramos mais de 20.000!
Decididamente, este sábado, agarrei um dos lados mais feéricos da Vida!


