E pronto, o primeiro MasterChef Junior de Portugal acabou, não sem antes termos tido um último programa marcado pela emoção.
A emoção de recebermos, de novo, todos quantos fizeram o programa ao nível da competição. Apenas o Gonçalo faltou à chamada, como seria, aliás, de prever. Sem concorrentes não há este tipo de programas, por isso é para todos eles, sem excepção, que vão as minhas primeiras palavras de reconhecimento. Quando se começou a falar da hipótese de fazer em Portugal o MasterChef Junior, seguindo a mesma fórmula de sucesso usada em muitos outros países, muitos duvidaram das capacidades dos nossos jovens para se desenvencilharem de tamanho desafio, dando sempre como exemplo a qualidade dos concorrentes australianos. É a eterna mania de menorizarmo-nos face ao que é da estranja. Após a estreia do programa, não levou muito tempo a que os mesmos se mostrassem embasbacados com o desempenho dos jovens concorrentes. Realmente estes miúdos revelaram-se de uma destreza, técnica e criatividade culinárias, notáveis, a par de todo o brilho que mostraram ter como protagonistas de um programa de televisão.








A emoção de ver que três dos finalistas (já que o João Mata ficou escolhido logo na primeira prova, por mérito das suas tarteletes de chocolate com pimenta rosa e frutos vermelhos) iriam entrar pela primeira vez numa cozinha altamente profissional, ao nível da melhor hotelaria internacional, envergando as suas próprias jalecas, para reconstituírem uma ementa de três pratos elaborada pelo Chef Carlos Cardoso, o responsável pelo restaurante “Varanda”, do Ritz Four Seasons Hotel. Até no último programa o destino trocou as voltas aos concorrentes, a nenhum deles saiu o que queriam cozinhar. Bem que a Rosarinho desejava a sobremesa (tarte de chocolate com sorvete de ginja), como seria de esperar, mas foi o Tomás que teve de a fazer, quando o que ele queria era a receita da entrada (carabineiro salteado, presunto ibérico, emulsão de yuzu e condimento de limão), sendo que esta foi parar às mãos da Maria, logo ela que preferia trabalhar o prato de peixe (filete de peixe-galo, espargos, funcho e caldo leve de cardamomo e yuzu), que acabou por ser confeccionado pela Rosarinho.




A emoção de me sentar à mesa com Maria de Lourdes Modesto, pioneira dos programas de culinária na televisão, grande conhecedora das técnicas a usar e autora da “bíblia” da cozinha tradicional portuguesa, Fátima Moura, crítica e sábia dos prazeres da mesa, Paulo Salvador, jornalista apaixonado pelas coisas de comer, e o Chef José Enrique Gonzalez, que pelo terceiro ano consecutivo se deslocou ao nosso país como professor da melhor escola de alta-cozinha do Mundo, “Le Cordon- Bleu”, de Madrid. Foi um almoço memorável, pelo ambiente, o salão nobre do Ritz Four Seasons Hotel, dominado pelas belíssimas tapeçarias de Pedro Leitão e pelos imponentes lustres de cristal, de origem austríaca, pela conversa e pelo que nos foi dado a provar, uma cozinha superior. Que orgulho perceber que qualquer um dos três finalistas brilhou ao mais alto nível. Não foi fácil escolher o(a) concorrente que iria disputar o título de MasterChef Junior, com o João Mata.
Fora do último desafio acabaram por ficar a Rosarinho e o Tomás. Um e outro grandes concorrentes. Se a Rosarinho se revelou ao longo de toda a competição uma exímia pasteleira, evoluindo grandemente na área dos salgados, a ponto de ter ganhado, também aí, algumas provas, para além do seu irrepreensível comportamento, o Tomás, o galã do grupo, teve uma prestação muito equilibrada durante as dez semanas, sempre marcada pelo talento, destreza e simpatia.





Emoção pela mais difícil das provas, a última, aquela em que é o tudo ou nada. O próprio desenho do cenário muda como se a cozinha fosse agora um ringue onde dois titãs lutam pela distinção maior. Maria e João Mata mereceram plenamente o momento, de tal modo se impuseram, acima dos demais, pelo engenho e constância. Cedo percebemos que tínhamos neles os mais fortes candidatos à vitória. A gravação desta final decorreu, como sabeis, no primeiro fim de semana de Abril e ainda hoje tenho dificuldade em dizer qual dos dois é o melhor, para mim ambos são vencedores. O título coube à Maria, é certo, com toda a justeza, pelas opções culinárias apresentadas, pela execução e resultado final , mas se tivesse sido o João Mata o escolhido, ter-me-ia sentido de igual modo orgulhoso da nossa decisão. Parabéns aos dois, por quanto fizeram ao longo de dez semanas, e igualmente pela suas tão distintas, mas de igual modo cativantes, personalidades, se bem que essas nada contem para a avaliação.
Emoção por uma vez mais me ver integrado num grande projecto de televisão, sem dúvida, o maior de que alguma vez fiz parte. Lado a lado com cerca de oitenta profissionais, dos mais capazes e dedicados em todas as áreas, da produção à edição, da cenografia à realização… Emoção por ver que este produto televisivo de luxo, já na sua terceira edição na TVI, voltou a liderar todas as audiências, mostrando que o público sabe premiar a qualidade.
O primeiro MasterChef Junior terminou. A Maria é a grande vencedora.
Se estou pronto para outro? Venha ele! Talvez para o ano, e que seja Junior, para também eu voltar a brincar! E para, de novo, me emocionar.







