(prosa revista e aumentada)

Foi em Maio do ano passado que estive no Hotel Torre de Palma, a dois passos de Monforte, tinha ele acabado de abrir e na altura foi isto que aqui escrevi (melhor mesmo é rever antes de prosseguir na prosa):
A bem dizer um ano depois voltei para mais uns dias de férias. Confirmo quanto havia escrito e acrescento que…
… já há três éguas no redondel, sendo que uma delas pariu recentemente uma bonita poldra de pelagem castanha. Chama-se esta Lenobatis, e se porventura acha estranho tal baptismo dir-lhe-ei que faz todo o sentido, dado que o nome nos remete para tempos longínquos do cavalo lusitano, vividos, a quinhentos metros, na villa romana de Torre de Palma, de que as suas ruínas são um polo de atração imperdível. No hotel, estão agora criadas todas as estruturas (cavalariças e carriére) para provas de obstáculos, dressage e outras exibições cavalares.
… nas cavalariças mora o Palma, um burrico envergonhado e desconfiado, também pudera com os maus-tratos a que foi sujeito no sítio onde antes era, mas que pouco a pouco vai ganhando confiança… ao fim de algumas visitas quase tivemos, literalmente, um “tête-à-tête”.
… as laranjeiras que pontuam um dos pátios espigaram e já se carregaram de flor. Há um doce aroma no ar. Não sairei daqui sem umas quantas flores de laranjeira para perfumar o açúcar do pote lá de casa (cá está uma ideia para ter em conta!) e usá-las em algumas receitas de doces que pretendo experimentar ou afinar, antes de lhas passar.
… a capela da herdade apresenta-se também ela concluída, ganhando relevância o magnífico Cristo em cortiça, de Nuno Vasa.
… o hotel tem agora mais uma suite, a maior, a dois tons. Decorada com o gosto irrepreensível a que nos habituou Rosarinho Gabriel, a profissional chamada a vestir toda a unidade.
… continuo a lamentar a ausência de uma carta de chás de acordo com a qualidade do hotel. Mas isto sou eu que o bebo às litradas e gosto de ter por onde escolher, entre preto, verde, branco… e não me ficar pelas infusões sossegantes. Da próxima, que a este hotel sempre tornarei por tudo quanto já disse e pela simpatia de quem recebe, trago o chá de casa… que já percebi que por aqui dão mais na vinhaça, também, que diabo, estamos no Alentejo e o hotel tem produção própria e de boa(s) cepa(s).








