Sempre Nico

O Nicolau deixou-nos há um ano, como o tempo voa. Recordo-o muitas vezes, quando estou comigo e com as lembranças que me enriquecem, património único e inviolável. Hoje foi dia de lembrar como tocou e inspirou quantos com ele privaram profissional e pessoalmente. Na preparação do programa desta manhã lembrei-me do muito material que teríamos se aproveitássemos imagens do espectáculo que a TVI produziu e realizou aquando da celebração dos seus cinquenta anos de carreira. Logo me assaltaram as gratas memórias dessa noite, no Teatro Tivoli, conduzida pela Júlia Pinheiro e por mim próprio, com inúmeros convidados amigos do homenageado, mas também o medo de falhar, muito particularmente, num momento musical que protagonizei já na última parte do programa. A ideia era recriar uma rábula cantada que o Nicolau havia feito, se bem me lembro, num “Melodias de Sempre” (programa de grande sucesso na RTP onde se receber recordavam velhos êxitos da Revista e da Opereta). Levei dias com o tema na cabeça, e todas as ocasiões eram boas para o trautear, não fosse atrapalhar-me na letra ou desviar-me da melodia. Acabou por tudo correr bem, mas poucos souberam que a Júlia se apresentou dorida em palco na sequência de um “espatifanço” de mota, nessa tarde, com o marido, e que a segundos antes de entrar em cena para cantar, ou fazer que cantava, tive um ataque de tosse, ou de nervos, que pôs em perigo a actuação. Fui literalmente empurrado para o palco, ainda estou para saber por quem, e uma vez ali a “coisa deu-se”. Nunca tive coragem de ver o resultado, até que agora ao mexer com a equipa do “Você na TV” nesse programa de celebração dei com estas imagens que aqui partilho consigo, também em jeito de recordar o grande Nicolau. Grande em tudo, até no canto, que ele sim cantava e com voz e formação de tenor.