
Este ano vesti o jardim de um despudorado amarelo. Sou dos 6 por cento que gostam da cor. Porque é sol, riso, boa disposição. Ela é a mais clara e leve das cores cromáticas. “Ah, como é lindo o amarelo!” escreveu Van Gogh sobre a luz no sul de França: “existe aqui em volta de tudo, uma tonalidade de enxofre, o sol sobe-me à cabeça. Uma luz que, na falta de melhor modo de descrever, só posso chamar de amarela…”. Se ao amarelo pertence o simbolismo da luz e do ouro porque haverá tantos a rejeitá-la? Talvez por ser também a cor da hipocrisia e da invídia. Em França, por exemplo, não se fica preto de raiva, a raiva deles é amarela (“jaunir”).
Felizmente não pratico tais estados de alma, e tenho particular carinho pelas minorias, é difícil arrebanharem-me. Fico-me no amarelo radioso que, por meses, há-de morar no meu jardim. Cor da cultura, da harmonia, da sabedoria (nisto estou com os chineses. Até os tenho por vizinhos).















