
No ano em que nasceu saiu da sua Guiné, dada a confusão fratricida instalada. Os seus pais vieram para Portugal e mantiveram-no no seio da família até aos quatro anos. Entretanto, nasceu um irmão e a vida complicou-se. Sem meios para o criarem, optaram por o colocar, então, na Fundação “O Século”, onde ainda hoje vive, passados que são onze anos, não deixando porém de manterem vivos os vínculos afectivos, à custa de visitas permanentes e de fins-de-semana passados em família. O pai queria que ele viesse a ser um craque da bola, talvez para escapar a um futuro de míngua e preconceito, mas o jovem cedo percebeu que os seus passos seriam outros, etéreos como só os da dança sabem ser.
Aos seis, já Samba sabia que a dança não era brincadeira, tanta a vontade de ir mais além, independentemente de todas as exigências e sacrifícios. Encontrou todo o apoio na Fundação e hoje é aluno da escola maior, a do Conservatório Nacional de Lisboa.
Recebi-o, sexta-feira passada, no “Você na TV”, na sequência de uma campanha que, entretanto, decorria nas redes sociais, de angariação de verbas, para que pudesse frequentar um curso de Verão numa das mais prestigiadas escolas de dança, a nível mundial, a Royal Ballet School, em Londres. Havia sido escolhido entre largas centenas de candidatos, faltavam era os 2.500 euros exigidos. Quem o ouviu falar da dança e de quão feliz é, terá por certo, entendido, que é pelo sonho que vamos. Que há que lutar, perseguir e conquistar, sem tempo nem energia para qualquer que seja a vileza. O topo, que é onde ele quer chegar, é possível, com dedicação, trabalho, coragem. É uma entrega total que exigirá uma permanente superação de si próprio. Londres é já uma realidade… não tarda e estará de malas feitas… para continuar a aprender a ser grande.
Porque Samba nasceu para voar!
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