Roncos ao alto

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Deram-me uma ronca e eu sem saber ao certo do que se tratava. Logo me disseram que era coisa da tradição do Natal de Elvas. Tem tudo a ver, já que a cidade raiana fica aqui pertinho, a meia hora de caminho. É trabalho de oleiro e parece que já só há um que ainda as faz, tipo pote ou cântaro em barro a servir de caixa de ressonância, de boca tapada por pele bem esticada. Friccionando a cana que há-de estar presa ao centro, obtém-se um som grave e fundo com que se acompanham os cantares do Natal. Antigamente andavam os homens em bando pelas ruas da cidade, entre as nove e a meia-noite, dando trovas ao Menino, ao som áspero das roncas. Guardam-se hoje em muitas casas para que à volta da mesa da consoada se mantenha a tradição em louvor de Jesus nascido.

“…

Olhei para o céu

Estava estrelado

Vi o Deus Menino

Em palhas deitado.

Em palhas deitado

Em palhas estendido

Filho duma rosa

Dum cravo nascido.

…”