Por quatro anos não completa o centenário, já que hoje fecha portas depois de um passado glorioso que fez dela uma das pastelarias mais emblemáticas da cidade.
“De volta ao Rossio sentei-me a um café, feliz da vida”, escrevia Jorge Amado, em 1957, na sua Crónica “A cidade proibida”, referindo-se à Suíça. Quantas figuras ilustres ali se terão sentado, do teatro, logo do “Nacional” de Amélia Rey-Colaco, que era a dois passos; do canto, até do lírico (Callas, a maior, por lá passou); do cinema (Orson Welles…); do jornalismo e outras letras; da política … Humberto Delgado ali tomou o pequeno-almoço antes da famosa reunião onde, sem medo, disse que a ser eleito Presidente da República obviamente demitiria Salazar!
Era o café preferido de quantos haviam fugido da Europa Central, aquando da Grande Guerra, sendo Lisboa um porto seguro antes seguirem viagem para outros destinos. A capital ia assim absorvendo outros hábitos, alguns não sem escândalo, como o das mulheres frequentarem a esplanada, a fumar.
Gostava do seu bife macio e de molhanga suculenta, isto quando ainda comia carne vermelha e a Suíça fazia jus aos seus créditos. Já não seria o que havia sido, entre remodelações, turistadas e até uma ou outra ocorrência mais azeda, mas este fecho de portas não deixa de entristecer. O quarteirão foi vendido e por muitos milhões, ali nascerá, dizem, que um hotel (mais um) superiormente estrelado, pena foi que a Suíça não tivesse resistido e assim se junte às mais cem de lojas com história que nos últimos anos têm encerrado. Outras haverá, infelizmente,a correr o mesmo risco … e assim se matam muitas das melhores memórias da cidade.



