Regina e eu

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Já aqui lhe contei como conheci Regina Duarte: apresentava eu na altura o “Praça da Alegria” e tive-a como convidada, a propósito da peça que então trouxe a Portugal: “Honra”, com a sua filha Gabriela e Marcus Caruso, outro grande na arte da representação no Brasil. Também lhe contei do facto de ter sido como que uma espécie de cicerone dos três na cidade do Porto, onde vivia durante a semana, tendo-os levado a jantar ao “Portucale”, onde se babaram com a doçaria conventual, tão carregada de açúcar e “pecado, e a ver a Igreja de São Francisco, verdadeiro triunfo do Barroco. Um ano depois voltaria, propositadamente, para estar presente na festa dos 1000 programas do “Praça da Alegria”, que decorreria, pomposamente, no Mosteiro de São Bento da Vitória, tendo acabado por dar mais umas quantas voltas na cidade e no seu rio de Ouro. Passaram mais de dez anos, e não me lembro se entretanto tivemos outro contacto para além, talvez, de um ou outro telefonema ou de uma mensagem por email. Ficou, sim, uma profunda simpatia pela personalidade que mostrou ser, independentemente da admiração e respeito que sempre tive pela actriz.

Em Setembro passado, estava de férias na “Provence” e recebi um telefonema dando-me conta que Regina Duarte estava, de novo, em Lisboa para promover a novela “Sete Vidas” e que havia perguntado por mim a um jornalista, enquanto este a entrevistava. Mais: que gostaria de me ver e e de estar comigo. Não imaginam como tocado fiquei por tamanha prova de elegância e de humildade. Regina Duarte, aclamada por plateias imensas, nos mais variados países do Mundo lembrando-se de mim, oficiante de apresentação neste cantinho de poucos milhões!!! E tive pena de não poder correr ao seu encontro.

Desta foi, que uma vez mais regressou ao Tivoli, a sua “casa” em Lisboa, com novo espectáculo: “Bem vindo estranho”. Foi como se nos tivéssemos deixado ontem, ficando a conversa suspensa, para agora, rasgados os sorrisos e dado sentido abraço, se retomar, tantos anos depois, celebrando o teatro, esse feitiço, e a Vida. Na plateia só nossa, desfiámos inquietações, nem todas transmissíveis, e falámos do processo de criação, esse que a leva inteira a viver as emoções das personagens, sem que tenha que levar com as consequências das mesmas. Assim sai “dessa coisa da mesmice”, que não há dias iguais quando se está em palco, entregue a outras vidas.

A conversa que tivemos vê-la-á em breve no “Você na Tv”, mas ainda ficámos de lanchar, para novo “papo”, agora sem câmaras indiscretas.
Uma coisa é certa: não vou esperar mais dez anos!

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