Tomo por “minha” a frase de Fernando Pessoa, porque foi isso que senti esta manhã ao ver e ouvir Gisela João. Pela voz, tanta para corpo tão franzino, e pela entrega às palavras dos poetas. A rasgar-nos por dentro, ou levando-nos por paisagens oníricas. E o fado acontece: fado fadário, fado corrido, fado boémio, fado vilão. Na sua voz, grave e poderosa, mora o lamento, o murmúrio, o grito… mas também o riso, a feira, a festa. E o corpo miúdo logo se agiganta como que num transe contagiante e arrebatador. Esta manhã fui tocado pela força, pela luz, pela pureza de um diamante.



