
Sempre que passeio pelos Jardins de Versalhes fico com a certeza que de uma próxima voltarei a deslumbrar-me como se fora uma primeira vez. Versalhes é a apoteose de André Le Nôtre (1613-1700), o mais hábil e celebrado dos paisagistas franceses, pelo menos para nós, os de fora. Le Nôtre organizou geometricamente todo o gigantesco espaço de forma única, como que numa cenografia obcecada pelos detalhes. Tal empreenda levou quarenta anos. Não será difícil imaginarmo-nos na corte de Luis XIV, entre jogos, fuxicos , divertimentos e seduções, enquanto deambulamos pelas suas infinitas alas de verde (ao todo para cima de quarenta quilómetros) enchendo os olhos com estátuas (mais de trezentas), espelhos de água, canais, labirintos, bacias e fontes (cinquenta e cinco). Luis XIV sabia o que fazia: com Versalhes, palácio e jardins, mostrava todo o seu poder absoluto, impondo ao mundo as suas regras. Diz-se que amava de tal modo a obra de Le Nôtre, que chegou a escrever um guia sobre como mostrar os Jardins de Versalhes, sugerindo mesmo alguns percursos de visita. Certo é que por muito que “dê aos calcantes” sobra sempre a impressão que fico com tudo por ver. Não me canso de Versalhes. Não me canso do que é Belo, é o que é!






















