Parem os relógios. Suspenda-se o tempo.
Assim apetece ficar nesta “villa” de setecentos, a dois passos de Verona, terra de amores trágicos. Deambulando pelos jardins onde o verde se mistura com o rumor das águas. Ou pelos salões, magnificamente restaurados, imaginando-lhes noites de fausto e de muita dança, numa petulância de sedas, jóias e rendas.
A propriedade foi comprada já no século XX à família Musella, por Pietro d ‘Acquarone (ministro da Casa Real de Victor Emanuel III) e Madalena Trezza, avós dos actuais proprietários: dois irmãos, sendo que um deles me confessou o seu recente fascínio por Portugal. Agora aos cinquenta descobriu o surf e a costa portuguesa do Algarve.
De Abril a Outubro a casa imensa abre-se aos hóspedes, já que seis quartos estão à nossa disposição e sempre vão dando uma ajuda para o custeio das despesas de manutenção. Pensar que soube dela, por um acaso, ao folhear um catálogo de uma celebrada cadeia hoteleira.
Perco-me no verde do bosque e dos hectares de vinha prenhe, já à espera de quem a vindime. Vejo com olhos de quem abrange e de quem se comove com o feitiço da terra. Ou será o sagrado? Agrada-me a inquietação, sem que haja religião que me dê resposta.
Ouço no vento memórias de vidas inteiras. Risos, choros, enleios, rumores.
Parem os relógios.
É no silêncio que grito: sou dono e senhor do tempo e do lugar.

O meu vídeo:
ww.villadacquarone.com


