Para ver a banda … tocar!

Sempre gostei de bandas filarmónicas, muito antes de perceber a importância que têm assumido na educação musical e artística de gerações de portugueses. Verdadeiros conservatórios populares, as bandas filarmónicas nasceram dos ideais da Liberdade e da Fraternidade, com o intuito de democratizar a instrução e elevar o nível cultural das populações.

Em miúdo era do que mais gostava quando assistia à procissão da Rainha Santa. Passado o triunfante andor logo a seguir vinha a banda, marcando a compasso o andamento de quantos levavam a Padroeira em ombros. Os temas procissionais, ditos “marchas graves”, não serão de todo os mais festivos, mas com eles a manifestação religiosa ganha um maior misticismo convidando ao recolhimento e à oração.

Ontem à noite sentei-me na Praça maior de Monforte para assistir a um concerto da Banda Euterpe de Portalegre, uma banda com um historial de mais de cem anos. Gonçalo Lagem é um autarca preocupado com a dinamização cultural do seu concelho, por isso têm sido muitas as iniciativas levadas a cabo nas freguesias de Monforte entre exposições, cinema ao ar livre, espectáculos de música, teatro …

Em chegando o Verão as noites na Praça são já um evento esperado. A população reúne-se para assistir a um espectáculo de música ou a uma sessão de cinema e não faltam barraquinhas de comes e bebes com a receita da venda a reverter para as obras de restauro da paróquia. Monforte tem um património religioso muito interessante, a começar pelas igrejas que pontificam a vila, passando pelas peças de arte sacra que as recheiam e outras postas a recato à espera de serem mostradas em desejado espaço museológico, mas será o conjunto de painéis azulejares do século XVIII, relatando cenas da vida de Isabel de Aragão, Santa Rainha, tenho a certeza, que um dia chamarão todas as atenções sobre esta terra alentejana que já a tenho também como minha. Os mais de vinte painéis figurativos que outrora pertenceram ao convento do Bom Jesus de Monforte têm sido alvo de aturado estudo e restauro e espero vê-los expostos ao público em espaço digno e condizente, que é o que a actual autarquia está apostada em fazer para durante o próximo mandato. Serei o primeiro a torcer para que o projecto se concretize, pela importância e qualidade de tal património azulejar e pela mais valia que será para Monforte ao ver-se assim inscrita de forma absoluta nos roteiros do património cultural do nosso país.

Mas voltemos à noite de ontem, só para lhe dizer que gostei de ver que maioritariamente são jovens que integram a banda Euterpe de Portalegre e que foi empolgante viajar pelas canções de mais de cinquenta anos de Festival, recordando os mais inspirados, e por isso eternos, temas, através das vozes de Luis Sousa e da Senhora do Mar (Vânia Fernandes).

E foi esta a minha (primeira) festa de Verão!

Outras haverá, que Agosto está aí com Carminho em concerto na vizinha Fronteira (e eu quero ir) e Monforte prepara-se para as festas da Senhora do Parto.

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