Os meus presépios

fotografia1Em arrumações encontrei, na garagem, esta caixa com alguns dos bonecos dos presépios da minha infância. Têm mais de cinquenta anos e já nem me lembrava que os havia trazido de Coimbra, sei lá eu porquê, já que não lhes dei mais préstimo. Talvez por me recordar da festa que era todos os anos fazer o presépio. A senhora Maria, que era quem lavava a roupa lá de casa nas águas do Mondego, levava-nos o musgo com viço.

Os caminhos fazia-os de areia, as montanhas, por onde se derramavam rios de prata, eram de papel pardo, o mesmo em que a avó Palmira enxugava os sonhos. Montado o cenário era povoá-lo com a bonecada, não sem que faltasse o castelo já sem senhor, a igreja com o seu prior, e o casario alinhado. Preso com um fio fino descia do azul-celeste um anjo cantando loas ao Menino. E ali me prantava, romeiro no coração.
De barro, meio toscos e já esmurrados, há muito que estes bonecos foram preteridos por outros bem mais delicados. Este ano, porém, ainda não me deu na veneta fazer o presépio. Nem sempre o faço, confesso. Mas há hábitos que não recuso, ano após ano, como o de distribuir pela casa os presépios que fui comprando ou que me foram oferecendo ao longo do tempo. E assim a casa se enche de íntimas presenças. É Natal!
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