
Não há volta a dar, acabo sempre no Alentejo os meus últimos dias de férias. E desta vez encontrei, a dois passos de Arraiolos, um refúgio único de paz e cavalos. Esta é, aliás, uma vertente do turismo ainda não muito explorada no nosso país mas que cada vez tem mais adeptos, sobretudo vindos da estranja, e que aqui podem aliar ao carácter da paisagem de montado, a excelência e versatilidade do cavalo lusitano (da coudelaria Herdade do Monte Velho) e a aprendizagem ou aperfeiçoamento na arte de montar. O turismo equestre, enquanto turismo temático, é uma aposta inteligente e a ter em conta, nomeadamente, quando falamos da defesa dos pilares da nossa identidade.
Seis confortáveis quartos (que bom, garantida está a tranquilidade!) com o Alentejo a entrar-nos olhos dentro, logo pela alva, a hipótese de aqui refeiçoarmos, sem opção de escolha mas com a certeza do cuidado e sabedoria postos na confecção, e a elegância e aconchego do acolho numa família tradicional (Margarida e Diogo Lima Mayer), fazem da experiência algo que queremos repetir, nem que seja numa escapada.
Irrecusáveis são também os passeios pela herdade imensa onde pacificamente nos cruzamos com cabras, vacas e éguas. E o mais certo é ainda levarmos por companhia o Chaparro e a Raia, dois cães de gado transmontanos, molengas dada a ardentia da terra. Enche-se a alma com o cheiro da esteva, da alfazema e do rosmaninho. E o tempo tem mais tempo como em lado algum.




Arraiolos está a dez minutos. Com o seu Castelo e a singular muralha elíptica a acompanhar a colina (pena é para os que venham dos lados de Montemor que a, até então, soberba visão, esteja agora maculada pela construção da nova escola, necessária certamente, mas verdadeiro mamarracho em betão dada a sua volumetria, exagerada a meu ver, e nada respeitadora do equilíbrio do conjunto histórico). Pedem-me os da terra que perore em defesa da sua iluminação: “o castelo merece que esteja iluminado. Lá vai tempo em que assim era, dizem-nos agora que não há dinheiro. Gastam tão mais senhor, em coisas que não interessam aos da vila”. Fica o recado dado!
Visitem-se as Igrejas Matriz, consagrada à Senhora dos Mártires, e a da Misericórdia. E não se venha dali sem conhecer a história dos célebres tapetes bordados com o ponto da terra. Já a reabilitação do antigo Hospital do Espírito Santo em Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos é um exemplo notável de lucidez e bom gosto.

Cavalos Lusitanos e Tapetes de Arraiolos, uns e outros esplendem do fundo da nossa portugalidade. Por isso devemos honrá-los.
O meu vídeo:
www.montevelho.pt


