
Esta ponte não me é estranha!
Estamos em Ervedal, bonita vila do concelho de Avis, sobre um braço da barragem do Maranhão. Esta ponte suspensa foi projectada por Edgar Cardoso, em 1957, e a sua construção é do inicio da década de sessenta. O tabuleiro da ponte original era de madeira de pinho, o que só complicou quando um pastor, vá-se lá saber porquê, decidiu ali fazer uma fogueira. Durante anos a ponte esteve interdita à passagem de veículos, devido a ter ficado parcialmente destruída, mas em 1998 foi finalmente recuperada com toda uma estrutura metálica. Ainda hoje continua a causar sensação, na paisagem alentejana, esta “ponte 25 de Abril” em miniatura. Acreditam os da terra que se trata, realmente, de uma maqueta da ponte sobre o Tejo. E quem sou eu para duvidar!

“Manjar das chagas”, assim se chama este doce que pode saborear na Pousada D. João IV, em Vila Viçosa. A herança é do receituário do que ali era, muito antes da Pousada, ou seja do Convento Real das Chagas de Cristo, mandado fundar em 1514 por D. Jaime (IV duque de Bragança) nas vizinhanças do seu Paço. Leva gemas de ovo, açúcar em ponto, miolo de amêndoa e, pasme, peito de coelho desfiado. O resultado é de babar. Aliás, não é a única receita da olímpica doçaria conventual portuguesa que conheço a fazer bom uso da carne. Faz parte das minhas lembranças e lambanças da adolescência o Manjar Branco do Convento de Celas, de Coimbra, este feito com peito de frango. Dada a sua forma mamilar, também era conhecido como Teta de Freira. Abençoada concupiscência!


