Ó pobreza

joanmiro1

Apetece-me opinar sobre a venda por atacado de uma colecção de oitenta e cinco obras de Joan Miró em posse do Estado pela sua intervenção no BPN, por entender que tal atitude só reforça a ideia que tenho que a cultura continua a ser cousa de somenos para quem nos governa. Estamos a falar de um conjunto de obras que reflectem sete décadas de vida e talento de um dos grandes mestres da pintura do século XX, que nos pertence a partir do momento em que fomos nós a pagar o resgate do banco. Alienar este património é alienar a maior riqueza de um país: a cultura. As obras de Miró deveriam  ser integradas num dos nossos museus de arte contemporânea para fruição de todos os portugueses interessados e de quantos nos visitam. Sendo Portugal um dos actuais destinos europeus mais em voga em todo o Mundo, esta seria, por certo, uma mais valia na oferta cultural, só por si  dinamizadora de receitas e outros proventos. Mas não… vinga a indigência cultural, que o que importa mesmo é que se encaixem uns quantos milhões (trinta e cinco espera o Estado) mesmo que estes não paguem sequer uma percentagem de monta do buraco criado pela nacionalização do BPN. Haja é coragem política para arrumar a casa…