
Esta manhã tanto a Cristina como eu, e sem que previamente o tivessemos combinado, exibimos sapatos das nossas respectivas colecções. Foi um regabofe pegado, que é sabido que tiramos partido de tudo. Estes que hoje calcei são os sapatos Paris. E outro modelo existe de igual modo baptizado, porque com o mesmo intuito: o de evocar a cidade, ou destino, de que mais gosto, através do meu jeito de a ver e de a sentir. A preto e branco, porque as tenho como cores da elegância e com uma frase em comum, ainda que trabalhada de forma distinta: “le monde est une poesie”.
Foi numa tarde em Saint-Germain des Près, entre o Café de Flore e a Brasserie Lipp, um e outro cúmplices dos mais variados movimentos filosóficos, literários e políticos, sobretudo no século XX, que dei de caras com os quadros do pintor indiano Yaseen Khan. Entre eles aquela frase, a um tempo simples e complexa, interpelando-nos e convocando-nos à mudança. Parei e é disso que Yaseen gosta: “faz-me feliz quando as pessoas param olhando os meus quadros, não importa se os vão comprar, é como se experimentássemos um encontro de almas! É fantástico!”. Há dias em que isso não acontece, tantos: “as pessoas passam e nem olham, vêem a frase e chegam a vociferar – merda! Acha que o mundo é uma poesia?”.
Muito em breve voltarei a Paris, para mais um fim de semana, calçarei os sapatos e irei à procura de Yaseen, para lhe dizer que, entre a nostalgia e o mistério, procuro construir o meu mundo onde a Arte é fermento. E que acredito que cabe a cada um a criação do seu paraíso, o outro de que tanto nos falam é pura imaginação. Sim, a vida é uma poesia!
Podem-me levar tudo e deixar-me a lua. Ela será a minha janela.
A colecção Destino(s) está à venda em todas as lojas Eureka.


