Vou deixá-lo(a) entrar no meu escritório que é dos sítios onde mais gosto de estar, sobretudo no Inverno, que em estando bom tempo é ver-me feliz antes no jardim, no meio da cãozada. Há livros por todo o lado, roubando espaço ao espaço que já por si não é muito, mas eles são essenciais para o meu ofício de perguntador. Ordenados por temas, estão à mercê de todas as dúvidas e dificilmente haverá uma questão que não encontre ali a resposta.
Nunca a biblioteca está terminada, há sempre novos títulos a chegar para se encavalitarem nos já existentes. Há livros que ali são para consulta quase diária, outros certamente nunca serão lidos, mas sabê-los por perto já me aquieta, que se há coisa que me irrita é não entender o que pergunto, seja sobre que assunto for.
Há canetas de aparo, que gosto de as ver correr pelo papel deixando um rasto de letras tintas. Letras que saem do meu sentir e que se guardam em cartões gentis que gosto de a outros enviar. Já os lápis, que os há com fartura, servem para as notas que aponho à margem do que muitos escreveram, palavras para além das palavras. Aqui me guardo para a descoberta de tudo quanto me intriga e nunca se esgota essa ânsia de aprender. Aqui se cumpre o ritual da música de fundo, quase sempre clássica, e do olor da infância, quando um “papel da Arménia” é posto a incensar. Aqui sei que tudo está por saber e ainda bem, que não quero que a minha vida seja feita só de casca.




