E ainda que a frase do poeta Ary tivesse um sentido mais profundo, foi dela que me lembrei ao entrar, ontem, primeiro de Fevereiro, num pequeno e inesperado museu de Salzburgo, todo ele dedicado ao Natal e suas tradições austríacas. Digo bem, tradições austríacas e de toda esta região da Europa central, que se em Portugal não celebramos o São Nicolau (santo inspirador da figura do Pai Natal), que é com ele que começam os festejos natalinos por estas bandas, menos ainda conhecemos o tinhoso Krampus, seu parceiro chifrudo, a ter como missão a de atazanar todas as crianças que não tenham andado nos conformes no mais do ano. Uma e outra são figuras presentes em muitas das vitrinas que enchem todo o espaço, duas alas distintas onde, desde os calendários e coroas do advento até aos enfeites do pinheiro, de tudo há: soldados quebra-nozes, cartões de boas-festas de abrir a três dimensões (em miúdo, deixavam-me deslumbrado!), presépios de vários andares,… até formas para moldar os bonecos de gengibre. Dei com o museu por mero acaso, que o que procurava era o café Demel, que antes era ali mesmo na praça grande que celebra em bronze Mozart, filho dilecto da terra. Claro que é um museu kitsch, afinal tal como a própria quadra natalícia, não na sua essência, claro, mas no jeito de a celebramos com excesso de brilhos e luminárias, mas também por isso uma experiência irresistível. É que dá ganas que chegue Dezembro para repetirmos gestos e promessas num triunfo de cores, cheiros e sabores. Que bem me soube este pedaço de Natal fora de tempo!
www.weihnachtsmuseum.at



