Na Praça do Bocage

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Quase não a vemos lá no alto, mas é ela que dá o nome à antiga Praça do Sapal. E assim se evoca um filho da terra, nobilíssimo nas letras: Manuel Maria Barbosa du Bocage. A ideia foi de um outro escritor, António Feliciano de Castilho, e para a concretizar, em mármore, fez-se subscrição pública no Brasil, entre portugueses e seus admiradores de lá, pena é que o banco onde se guardava o dinheiro tenha falido e diz-se que por isso não se fez cousa maior.

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São Julião evoca-se ali na Praça do Bocage, em templo fundado pelos pescadores. A igreja primitiva seria do século XIII, mas foram várias as remodelações efectuadas ao longo do tempo. Da que foi ordenada por nosso rei venturoso, em 1513, conservam-se os dois portais, em toda a sua exuberância manuelina. No interior da nave destacam-se os painéis de azulejos do século XVIII, narrando cenas da vida do santo. Tudo fotografei porque isso qualquer visitante o faz, não há proibição visível, mas o que gostaria mesmo era de ter colhido imagens profissionais em vídeo, para depois as partilhar no programa da manhã, como que a desafiar quantos desconhecem a riqueza do nosso património a interessarem-se por ele e a honrá-lo. Mas o senhor padre não autorizou, como se a igreja fosse dele! De vez em quando acontece e lá esbarro com uns quantos sacerdotes cheios de si, mas pequenos por tanta arrogância exibida. Ainda bem que não têm mão em mim, porque denunciando a ridicularia de tão abusivos poderes, não temo as chamas de Belzebu.

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O primeiro edifício da Câmara Municipal foi construído ao tempo de D. João III, mas tantas foram as catástrofes naturais, entre tremores de terra e chuvas torrenciais, que a casa veio abaixo, e mais do que uma vez. A última terá sido na noite de quatro para cinco de Outubro de 1910, no alvor da República, quando um incêndio de grandes proporções tudo arrasou salvando-se apenas a fachada. Foram necessários vinte e oito anos para a reconstrução da Câmara segundo projecto de Raul Lino, um dos mais controversos mas geniais arquitectos portugueses.

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É na Câmara que se recebem quantos ilustres visitam a cidade, entre presidentes, reis e muitas figuras notáveis por se terem evidenciado nas mais diversas áreas, como por exemplo Madre Teresa de Calcutá. De ilustre pouco terei, apenas sou conhecido por ter um ofício de exposição pública, mas não é que a Presidente do Município, em sabendo-me na Praça, saiu do seu gabinete para me vir saudar! Maria das Dores Meira é conhecida e gabada por essa proximidade que estabelece com as pessoas, apanágio de todo o competente autarca, e são muitos os que me dizem, que aproveito sempre estas ocasiões para tudo tirar a limpo, que a ela se deve muito da revitalização da cidade. O breve mas muito simpático encontro ficou,  assim, registado através da objectiva de José Luis Costa.

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Conhece-se uma cidade também através dos produtos gastronómicos que a representam. Dos variados que podemos encontrar na loja “Coisas de Setúbal” (no próprio edifício da Câmara) resolvi destacar dois, distintos e emblemáticos: o Moscatel, esse vinho generoso  feito das uvas moscatel, com estágio de alguns anos para ganhar uma textura xaroposa e uma irresistível cor topázio, e logo este da “Quinta da Bacalhoa” celebrado a ouro, e o doce de laranja amarga, servido em barquilhos, por teimosia de quem ainda o faz, apesar dos laranjais não serem mais o que foram.

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(Fotos de Américo Ribeiro, para muitos o fotógrafo que melhor captou a sua cidade de Setúbal)
Não há mais cafés como o “Central”, o Moderno” ou “A Brasileira” mas, entretanto, outros nasceram e vão vingando permitindo que a Praça do Bocage não deixe ser o que sempre foi, um privilegiado espaço da convivialidade.
Para ver em breve no “Você na Tv”.