
E assim se finou esta aventura que, para si, começou há três meses, na praça maior da cidade de Lisboa.
Desta vez, o episódio fez-se em duas etapas (oito horas de gravação), a primeira das quais pretendia das três concorrentes finalistas, apurar duas, para se defrontarem num último duelo, pela conquista dos dois primeiros prémios da competição: um curso de um mês e outro de um ano para aquisição do grande diploma, ambos tirados naquela que é a maior escola de alta cozinha do Mundo, a “Cordon-Bleu”, neste caso de Madrid (na mesma escola, mas na de Londres, tirou Miguel Rocha Vieira o seu curso).
O ambiente criado não podia ser mais emotivo, deu para perceber pelos beijos e abraços que ex-concorrentes e, particularmente, os familiares das finalistas receberam. Há três meses longe dos seus, era previsível que a emoção tomasse conta da cena e a todos arrebatasse.






A prova não correu de forma excelente a qualquer uma das concorrentes, o que, convenhamos, nos irritou um pouco, dado que estávamos no último dos programas, quando o grau de exigência tem de ser muito elevado, e dado o percurso de cada uma delas. Terá sido a pressão de se saberem tão próximas da vitória final, que prejudicou o respectivo desempenho?

Certo é que foi a Leonor a ficar em terceiro lugar, honrosíssimo destaque para quem mostrou desde o primeiro programa que tem paixão pela cozinha e que gosta de arriscar. A sua cozinha tem alma e mundo. O mundo que desbrava em viagens, leituras e pesquisas várias. A sua cozinha resulta do desafio, da observação e da experimentação. Moderna, de bom gosto, simpática, estimulante, assim se apresentou esta concorrente aos olhos de quem procurou sempre avaliar com justeza. Tenho a certeza que vai tirar o melhor dos partidos da sua inspirada prestação no MasterChef. E eu que fiquei mais rico por a ter conhecido.

Sónia e Rita
Curioso vê-las ali, na derradeira disputa pelo título de MasterChef, sabendo-as amigas desde o primeiro dia. Partilharam quarto, emoções, choros, risos… sonhos. Por isso, foi bonito ver que a entreajuda esteve presente numa prova a três tempos, intensa e apaixonante. Quando, a esta distância, penso nestas duas concorrentes lembro dois percursos consistentes, marcados pelo talento e empenho culinários, por isso merecedores de toda a celebração.
Foi a Rita a ganhar, com toda a justeza, por nos ter apresentado, entre três receitas exigidas, a melhor entrada e o melhor prato, a nível de inspiração, confecção, sabor e empratamento. Mas imaginemos uma situação de empate, entre as duas finalistas, que exigisse uma decisão final através da última das receitas, a sobremesa. Seria a Sónia a ganhar, dado o seu surpreendente “fondant” de três queijos. Bem que torci o nariz quando percebi que o bolo iria ser feito com queijo da Serra, parmesão e mascarpone, para acabar por “dar o braço a torcer”, perante a inesperada subtileza de sabores.

É uma das vencedoras do MasterChef, por mérito próprio. O facto de ter sido diabolizada, nas redes sociais, espantou-me por ser isso prova de que muitas pessoas se envolveram com o programa de forma emocional, não fazendo destrinça entre este género de competição e um “reality-show”. Fomos “acusados” de não penalizarmos, com a expulsão, as “vis” atitudes da concorrente, como se estivéssemos ali para avaliar carácteres e não receitas. A Sónia cedo se revelou uma concorrente de respeito, pelo que fez na cozinha do MasterChef. Foram muitas as receitas que nos agradaram e só isso conta na nossa apreciação. O mais não me atrevo a avaliar. Não julgo, levianamente, quem quer que seja e muito menos por um programa de televisão onde um riso, um esgar, um trejeito, até um sussurro, ganham dimensões inesperadas. Costumo dividir as pessoas em interessantes ou maçadoras. Pelo que me foi dado apreciar, tenho-a na primeira categoria e por isso não duvido que a sua garra e determinação a vão levar longe.

É a MasterChef Portugal 2014.
Coroa-se assim uma prestação notável de esforço, criatividade e saber. A sua presença fez-se notar pelo altruísmo (patente em momentos como o da última prova desta noite, quando procura socorrer a Sónia) tranquilidade, sensibilidade e bom gosto. Foram muitos os motivos que nos deu para desenfreadas gabações, desde uma caldeirada com sabor a mar a um suculento bolo de chocolate perfumado de pimenta rosa. A delicadeza de empratamento, factor muito estimado pelos jurados, esteve presente em muitas ocasiões, elevando o seu labor a um patamar de considerável categoria. Daqui para a frente nada será igual na sua vida. Esperam-na nove meses de duros desafios ao nível da formação, numa das mais exigentes escolas de cozinha do Mundo. Mas haverá um outro mundo de oportunidades que se abre e que saberá agarrar, como quem corre atrás dos sonhos.


Parabéns Rita. Brindamos ao seu sucesso!

Orgulho, foi o que senti por ter feito parte deste projecto televisivo. E lembro-me de o ter dito na primeira croniqueta. As dúvidas que pudesse ter acerca da minha participação no programa, dissiparam-se, no primeiro dia, aquando da gravação do “mega-casting“ no Terreiro do Paço, perante a dimensão e excelência de toda uma equipa, que logo ali se fez notar, a todos os níveis (conteúdos, produção, realização, edição…).
Obrigado Rui Ávila e Raquel Nunes (e, nestes profissionais, celebro cada um dos elementos de toda uma equipa).
Foram três meses de um trabalho diário de muitas horas, vibrante, apaixonado e avassalador. Um trabalho minucioso no preparo e encadeamento das provas, seguindo regras há muito que codificadas por outros que criaram o conceito repetido com sucesso em dezenas de países.
Não vi nenhum outro MasterChef, nem precisei de o fazer para saber que o nosso foi de grande qualidade, fazendo uso de meios pouco habituais no universo televisivo português. Por isso, não dou importância alguma a quantos procuraram compará-lo com os da estranja, menorizando-o. Aliás, sabe-se como somos exímios a dizer mal do que fazemos e confesso o meu pouco apreço pelos habituais “treinadores de bancada”.
Orgulho sinto por ter partilhado esta aventura com dois grandes chefs, de gerações diferentes, que honram, com rigor e mestria, a arte de cozinhar e todo um património de saberes e sabores. Obrigado Rui Paula e Miguel Rocha Vieira.
Orgulho, será certamente o que sentirei quando novamente for chamado à liça. É que se o MasterChef é agora coisa passada, sei que o reencontrarei no futuro, onde passarei o resto da minha vida.



